terça-feira, 3 de maio de 2011

3º Cruzeiro Costa Sul - Abril 2001



Até que enfim o AUSGANG vai sair pra um cruzeiro decente, vamos participar do CCS 2011 que descer do Bracuhy no RJ até Florianópolis em SC. A primeira "perna" foi super tranquila, com os amigos Samuel e Valéria à bordo com suas filhas, fomos de Paraty até Paraty Mirim e depois pra Ilha da Cotia onde nos encontramos com o restante da flotilha que vinha do Bracuhy para o churrasco no sábado da Páscoa (que foi mais um sucesso de público, organização e diversão).


No domingo pela matina a gente saiu com destino à Ilha Anchieta e depois Ilhabela na segunda-feira. Big mistake! Pegar a cabeça da frente fria subindo, foi muiiiiiito desconfortável e todos passamos mal à bordo; decidimos nos abrigar na Ilha das Couves pra comer alguma coisa e tomar um banho quente ante de prosseguirmos para a Ilha Anchieta, onde chegamos já de noite ainda com muita chuva. Vi na TV que choveu em 4 horas o que costuma chover em 6 meses; foram mais de 200mm e com vento, que foi o pior pra nós.


A explicação do Ricardo Amatucci (nosso apoio logístico em terra):
A previsão meteorológica do Costa Sul está sendo feita em duas frentes: eu aqui do escritório e o Ivan (Taai-Fung) lá da Holanda.
As consultas são feitas pelas cartas sinóticas da Marinha, pelo serviço pago do Buoyweather, pelo windguru e pelo Ugrib, e se possível ainda ligamos para alguém no destino a frente.
Esssas previsões com as devidas interpretações e pareceres são passadas ao Comodoro.
Infelizmente a turma resolvei adiantar a saída da Cotia porque alguns não queriam sair pela Joatinga à noite... e pegaram a cabeça da frente adiantada.
O parecer dado e o horário programado no caso era sair à noite de domingo (23h) e ir direto pra Ilhabela. Certamente não teriam pego a porrada da cabeça da frente, embora o tempo não estivesse um "mar de almirante"...
Mas são coisas da navegação. O importante é que chegaram bem e pela previsão atual parece que a ida para Santos deve ser bem mais tranquila.



Ficamos em Ilhabela no Iate Clube de Ilhabela e também no Pindá Iate Clube até quinta-feira à noite, quando saímos às 19h00. A ida pra Santos foi realmente mais tranquila, ainda bem, senão eu daria meia volta... Foi uma pena chegarmos no Iate Clube de Santos com um tempo ainda encoberto, e choveu bastante depois. Meu companheiro nesse trecho até Santos foi o Adriano lá de Ilhabela, que está nos preparativos finais pra expedição que ele fará de moto para o Alaska (veja mais em http://ilhabelaalaskailhabela.blogspot.com/). Aqui em Santos embarcou o novo comodoro do cruzeiro, o Maurício Napoleão, que será meu companheiro de navegada até São Francisco do Sul em SC. 


Saímos de Santos às 13h30 de sexta-feira com tempo encoberto, mar tranquilo e vento fraco contrário; a navegada para a Ilha do Bom Abrigo em frente a barra de entrada em Cananéia foi bem tranquila. A noite foi estrelada e tivemos poucos percalços no caminho, apenas uma rede de pesca, bem sinalizada com luzes estroboscópicas, e uma lancha que passou em frente aos veleiros iluminando com uma luz muito forte e assustando um pouco as pessoas; mas era só uma lancha indo ajudar a recolher uma rede de pesca.


Chegando na Ilha do Bom Abrigo pela manhã, tomamos um bom café e um banho pra renovar as energias, enquanto aguardávamos pelo estofo da maré para adentrar a barra de Cananéia, que é bem mais simples do que o pessoal costuma dizer; basta seguir os waypoints e/ou a carta da marinha (que está atualizada, apesar de indicar bóias que não existem mais). E a entrada vale à pena pois Cananéia vale a visita. Nos disseram que o marco do Tratado de Tordesilhas, fica bem alí  na ponta do Ilha do Cardoso, à bombordo de quem entra pela canal; se bem que é uma reprodução, já que o verdadeiro marco foi roubado e levado para um museu no Rio de Janeiro, de onde estão tentando recuperá-lo.


A recepção em Cananéia ficou por conta do Marcos do Centro Náutico Cananéia, com fogos de artifício cedidos pelo presidente da associação comercial local. A ABVC encomendou o almoço no Centro Náutico, mas o Marcos incluiu por conta própria uma enorme barca de ostras que nós não conseguimos comer toda, apesar dos nossos esforços. Ao lado do Centro Náutico existem diversas casas de veraneio muito suntuosas, todas com garagens náuticas de frente para o Mar Pequeno.


E se Cananéia não é o suficiente pra motivar uma entrada pela barra, a navegação pelo canal do varadouro é, com certeza, motivo de sobra pois lá é lindo. A ABVC contratou um especialista local para guiar os veleiros através do canal até o Iate Clube de Paranaguá, o divertido e competente Jânio Preto (tiveram que qualificar o nosso guia pois tem mais dois Jânios em Cananéia e estavam confundindo ele com um japonezinho). E por falar no Jânio, ele foi batizado assim em homenagem ao Jânio Quadros, então presidente do Brasil, mas meses depois do seu nascimento o Jânio renunciou...




Saímos de Cananéia e fomos contornando a Ilha do Cardoso até chegarmos na entrada do canal que leva ao varadouro; logo antes da entrada existe a vila de Marujá na Ilha do Cardoso, onde só podem morar os alí nascidos e onde as casas de veraneio estão sendo derrubadas. Logo após entra-se no canal a boreste onde se vê uma vila fantasma pois, por algum motivo, provavelmente doenças, as pessoas foram indo embora até que só sobraram uma mulher e sua filha que morreram tragicamente em um acidente com o barco que as levavam para Paranaguá, onde a menina teria uma consulta médica.


Logo à frente chegamos em Ariri, uma vila de Cananéia com diversas casas de veraneio muito bonitas, onde almoçamos no restaurante da Dna. Maria (atende no canal 68), uma comida simples mas muito gostosa. Dormimos por alí mesmo e no dia seguinte saímos com o JP (o tal Jânio Preto) nos mostrando os caminhos pelo canal. O cara realmente conhece tudo daquele canal, nos guiou com perícia através dos baixios e outras armadilhas do caminho; o que não impediu que dois veleiros encalhassem bem no local onde o home abriu o canal do varadouro, justamente onde deságua um afluente que traz areia e assoreia a passagem. Mas a maré estava com 60cm e ainda ia subir mais uns 20 ou 30 cm na próxima hora, então não nos preocupamos muito, bastou utilizar a técnica de adernar o veleiro pra levantar um pouco a quilha e acelerar o motor pra escapar do encalhe. Os veleiros que encalharam tinham 1,80m de calado, enquanto que os demais, em torno de 1,60m passaram bem apenas tocando o fundo ocasionalmente.












Depois foi mais fácil, chegamos em Paranaguá à noite após as 40 milhas navegadas pelo canal, onde vimos diversas vilas ribeirinhas na ilha de Superagui, e passamos pela bahia onde fica a Ilha das Peças e a Ilha do Mel na entrada do canal do Porto Paranaguá que é muito bem balizado e bem tranquilo pra navegar, mesmo à noite em meio aos navios - basta ficar fora do canal balizado por onde eles passam!


A próxima etapa será São Francisco do Sul e Joivile em SC, a apenas 60mn de Paranaguá! 
Até lá e bons ventos!





Um comentário:

  1. Grande Julio!!!!!!
    Saudades do cruzeiro....aproveite bem. Se precisar de um tripulante me avisa que podemos fazer alguma perna.

    Abraco Rogerio

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