quarta-feira, 1 de abril de 2009

AUSGANG

Era Fevereiro do ano de 1996, estávamos eu, minha recém esposa Márcia (1 aninho de casado) e nosso grande amigo Marcelo (Jabs), viajando pela Europa com um Renault Megane alugado; ficamos um tempo na França e saímos ao leste, entrando na Alemanha e dormimos em Baden-Baden, um lugar adorável, mas obviamente não falávamos uma palavra em alemão e o nosso inglês dava pro gasto, a Márcia na realidade falava muito bem o inglês, mas como os alemães não eram tão bons nisso, então não adiantava muito. No dia seguinte partimos rumo à Munique, eu dirigindo e a Márcia e o Marcelo curtindo a paisagem e acompanhando o trajeto no mapa. Eis que vimos uma placa com formato de seta indicativa, e lá estava escrito: AUSGANG (saída); imediatamente eles procuraram no mapa pela cidade de Ausgang, e lógico, não encontraram; alguns quilômetros depois e novamente a placa indicando a cidade de Ausgang, mas como não existia no mapa achamos que era só um vilarejo. Uma centena de quilômetros depois e lá estava de novo a danada da cidade de Ausgang na placa, daí eu disse que não era possível não ter no mapa, pois a cidade devia ser muito grande já que tinha várias entradas... mais uma centena de quilômetros e daí aprendemos que Ausgang significava saída ou retorno ou coisa parecida (que falta fez o dicionário). E daí isso acabou virando piada pessoal e de repente teve tudo a ver com o batismo do nosso primeiro barco, o Ausgang.

Voltando ao presente, agora que tínhamos o nome do barco, tínhamos que encontrá-lo, então depois de muita pesquisa desde o ano passado, depois de visitar alguns barcos, pedir informações em diversos sites com anúncios e fazer contas e mais contas nos decidimos pelo barco que queríamos. O ganhador do 'Our House Boat Contest' foi o BB36 do estaleiro gaúcho Emisul. Analisamos o tipo de uso que faríamos, o conforto necessário para a nossa família, o mínimo de equipamentos embarcados necessários (como, por exemplo, fogão, boiler e guincho de âncora), e esse foi o barco que atingiu as expectativas tanto no conforto, quanto no valor e tipo de navegação, que no nosso caso é de cruzeiro e sem muita emoção, ou seja, quanto menos o barco adernar, melhor! Obviamente, com essas caracterísitcas a performance fica um pouco prejudicada, mas é o nosso primeiro barco, não dá pra querer tudo logo de cara; e além disso, temos que aprender muito antes de querer participar de qualquer regata. Achamos um ótimo barco à venda em Paraty e vimos ele por fora num final de semana, e no mês seguinte eu já estava lá com o proprietário, o Christophe, pra visitar o Nau Capitânea por dentro. Após a fase de negociação, da pesquisa dos antecedentes e da documentação, e de ter falado com todo mundo que poderia agregar algo nessa fase, marcamos o teste, seria dia 20 de Março; um capítulo à parte foi a atenção que o Raul, proprietário do estaleiro Emisul, me deu, foi tratamento VIP, parecia que eu estava negociando um barco novo com ele e não um usado de um cliente dele. Como após o teste da velejada, iríamos içar o barco para verificar a integridade do casco, quilha, osmose e outras coisas, já aproveitei para contratar a pintura da venenosa com o Eduardo, o famoso Cocó, que também poliu o costado e deixou o barco novinho por fora. E finalmente, no dia 26 de Março de 2009, o nosso barco, já devidamente batizado de AUSGANG voltou pra as calmas águas da bahia de Paraty.

Foi difícil esperar até o final de semana para a primeira velejada, nossa estréia em Paraty. Eu estava bem preparado, muitas horas velejando com o laser em Ilhabela, também fizemos um charter com o Vinícius (Vinivela) que foi muito bom e eles nos usou como tripulação e deu várias dicas, e no final do ano, fizemos o curso de vela oceânica com o Marcão da BL3 num Delta 32. O curso foi muito legal, fizemos de tudo, até trocar a genoa. Como navega gostoso aquele Delta, não fosse o preço tão elevado, eu teria tentado convencer minha esposa a aceitar um ângulo maior na orça. Mas depois de ter velejado com o BB36, não estou nada arrependido da escolha, ele também navega muito gostoso, e olha que o barco estava cheio de gente e o vento estava fraquinho, mas mesmo assim o Ausgang navegou gostoso pela Bahia, rumo à Ilha do Cedro, nossa viagem inaugural. Na preparação desse passeio, marquei os pontos de todas as lajes e o trajeto para o ilha na carta náutica, e levei o meu GPS portátil da Garmin; o Ausgang tem um Chart Plotter Navman, mas como não tive tempo de testá-lo, preferi não arriscar e usar um aparelho mais conhecido.

Chegando na Ilha do Cedro, fomos almoçar no Bar do Nelson e curtir a prainha sem ondas... começou muito bem nossa vida náutica! Apesar de voltarmos com chuva, eu estava tão feliz que nem notei que caia água do céu! 8-) Uma pena que só eu e meu filhão encaramos dormir no barco, foi muito legal, e até preparamos um café da manhã com pãozinho quentinho! E no domingo já fomos muito bem recebimos na comunidade amigosdomar pelo pelo Cap. Eduardo e por sua adorável esposa Regina, do Regwell. Obrigado pela acolhida, amigos!

Bons ventos!

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