sexta-feira, 6 de maio de 2011

3º Cruzeiro Costa Sul - Babitonga



Ontem fizemos a melhor perna da viagem até o momento, 60mn em apenas 9h vindo de Paranaguá e chegando em São Francisco do Sul, metade desse trecho velejando com um ventinho delicioso de 9 a 11kt que vinha de ESE, quase de través, e com sol e um mar de almirante. Só a saída de Paranaguá por Galhetas é que foi "emocionante", é que fiz minha derrota saindo ao lado do canal balizado pra não ficar no caminho dos navios, só que eu não sabia que o pessoal draga o canal e joga a areia dos lados, ou seja, era muito raso e daí  vimos umas espuminhas e logo em seguida, de repente, estão lá as ondas estourando na proa do barco, apenas duas delas subiram pra passear pelo convés, mas nem chegaram a molhar o cockpit, acho que as pessoas que estavam à salvo no canal e viram até a quilha do Ausgang saindo da água, é que ficaram mais assustadas do que a gente...

Em tempo, perguntaram sobre as mutucas do varadouro: bom, vimos diversas delas mas confesso que não incomodaram pois agora no outono parece que elas dão uma sumida, a única reclamação quanto a insetos é com relação aos malditos “porvinhas” – o JP tinha avisado pra fechar bem o barco no entardecer pra garantir o sono, e foi  o que fizemos, mas alguns pequenos desgraçados acharam algum buraquinho e entraram , mas só fomos perceber pela manhã, então nem chegaram a incomodar muito.


Aqui em São Francisco do Sul o tempo está ótimo, muito sol e muito calor, inclusive humano, pois fomos muito bem recebidos por todo mundo, incluindo comerciantes e população que tratam bem os visitantes.  A cidade é muito interessante, já tem 507 anos e o centro da cidade fica às margens da bahia da Babitonga e tem ao lado um grande porto de carga, e na orla marítima tem praias badaladas como Ubatuba e da Enseada, com muito turismo. Sua população é de 47 mil habitantes, mas nas temporadas salta pra perto de 200 mil pessoas.


 O nosso presidente já fez a entrega da placa de agradecimento da ABVC para a prefeitura e quem a recebeu foi a Srta. Jamile, secretária de turismo, que inclusive nos prometeu um píer do município para o próximo Costa Sul, pois o mesmo já foi licitado. O píer atual oferece somente um meio de desembarque e foi utilizado pelos 34 navios que pararam na Bahia da Babitonga nesse verão passado.

A Sra. Ana Lúcia, diretora do Museu Nacional do Mar (que vale muito a pena ser visitado), também colocou a nossa disposição o pier do museu e as instalações;  parece ser bem legal, mas existem duas restrições: calado, pois não parece ser muito fundo e quantidade de vagas pois deve comportar apenas uns cinco barcos.
Daqui o cruzeiro deve seguir mais para o fundo da Babitonga onde fica Joinvile e passar uns dias por lá antes de seguir para a próxima etapa, que deve ser Itajaí. Diversar pessoas, inclusive esse que vos escreve, irão voltar as seus lares amanhã para comemorar o dia das mães com as suas respectivas, e depois retornar para cá. Para os que ficam, amanhã haverá uma regata aqui em São Francisco e os nossos veleiros foram convidados, não sei se alguém participará, aguardem novidades.

terça-feira, 3 de maio de 2011

3º Cruzeiro Costa Sul - Abril 2001



Até que enfim o AUSGANG vai sair pra um cruzeiro decente, vamos participar do CCS 2011 que descer do Bracuhy no RJ até Florianópolis em SC. A primeira "perna" foi super tranquila, com os amigos Samuel e Valéria à bordo com suas filhas, fomos de Paraty até Paraty Mirim e depois pra Ilha da Cotia onde nos encontramos com o restante da flotilha que vinha do Bracuhy para o churrasco no sábado da Páscoa (que foi mais um sucesso de público, organização e diversão).


No domingo pela matina a gente saiu com destino à Ilha Anchieta e depois Ilhabela na segunda-feira. Big mistake! Pegar a cabeça da frente fria subindo, foi muiiiiiito desconfortável e todos passamos mal à bordo; decidimos nos abrigar na Ilha das Couves pra comer alguma coisa e tomar um banho quente ante de prosseguirmos para a Ilha Anchieta, onde chegamos já de noite ainda com muita chuva. Vi na TV que choveu em 4 horas o que costuma chover em 6 meses; foram mais de 200mm e com vento, que foi o pior pra nós.


A explicação do Ricardo Amatucci (nosso apoio logístico em terra):
A previsão meteorológica do Costa Sul está sendo feita em duas frentes: eu aqui do escritório e o Ivan (Taai-Fung) lá da Holanda.
As consultas são feitas pelas cartas sinóticas da Marinha, pelo serviço pago do Buoyweather, pelo windguru e pelo Ugrib, e se possível ainda ligamos para alguém no destino a frente.
Esssas previsões com as devidas interpretações e pareceres são passadas ao Comodoro.
Infelizmente a turma resolvei adiantar a saída da Cotia porque alguns não queriam sair pela Joatinga à noite... e pegaram a cabeça da frente adiantada.
O parecer dado e o horário programado no caso era sair à noite de domingo (23h) e ir direto pra Ilhabela. Certamente não teriam pego a porrada da cabeça da frente, embora o tempo não estivesse um "mar de almirante"...
Mas são coisas da navegação. O importante é que chegaram bem e pela previsão atual parece que a ida para Santos deve ser bem mais tranquila.



Ficamos em Ilhabela no Iate Clube de Ilhabela e também no Pindá Iate Clube até quinta-feira à noite, quando saímos às 19h00. A ida pra Santos foi realmente mais tranquila, ainda bem, senão eu daria meia volta... Foi uma pena chegarmos no Iate Clube de Santos com um tempo ainda encoberto, e choveu bastante depois. Meu companheiro nesse trecho até Santos foi o Adriano lá de Ilhabela, que está nos preparativos finais pra expedição que ele fará de moto para o Alaska (veja mais em http://ilhabelaalaskailhabela.blogspot.com/). Aqui em Santos embarcou o novo comodoro do cruzeiro, o Maurício Napoleão, que será meu companheiro de navegada até São Francisco do Sul em SC. 


Saímos de Santos às 13h30 de sexta-feira com tempo encoberto, mar tranquilo e vento fraco contrário; a navegada para a Ilha do Bom Abrigo em frente a barra de entrada em Cananéia foi bem tranquila. A noite foi estrelada e tivemos poucos percalços no caminho, apenas uma rede de pesca, bem sinalizada com luzes estroboscópicas, e uma lancha que passou em frente aos veleiros iluminando com uma luz muito forte e assustando um pouco as pessoas; mas era só uma lancha indo ajudar a recolher uma rede de pesca.


Chegando na Ilha do Bom Abrigo pela manhã, tomamos um bom café e um banho pra renovar as energias, enquanto aguardávamos pelo estofo da maré para adentrar a barra de Cananéia, que é bem mais simples do que o pessoal costuma dizer; basta seguir os waypoints e/ou a carta da marinha (que está atualizada, apesar de indicar bóias que não existem mais). E a entrada vale à pena pois Cananéia vale a visita. Nos disseram que o marco do Tratado de Tordesilhas, fica bem alí  na ponta do Ilha do Cardoso, à bombordo de quem entra pela canal; se bem que é uma reprodução, já que o verdadeiro marco foi roubado e levado para um museu no Rio de Janeiro, de onde estão tentando recuperá-lo.


A recepção em Cananéia ficou por conta do Marcos do Centro Náutico Cananéia, com fogos de artifício cedidos pelo presidente da associação comercial local. A ABVC encomendou o almoço no Centro Náutico, mas o Marcos incluiu por conta própria uma enorme barca de ostras que nós não conseguimos comer toda, apesar dos nossos esforços. Ao lado do Centro Náutico existem diversas casas de veraneio muito suntuosas, todas com garagens náuticas de frente para o Mar Pequeno.


E se Cananéia não é o suficiente pra motivar uma entrada pela barra, a navegação pelo canal do varadouro é, com certeza, motivo de sobra pois lá é lindo. A ABVC contratou um especialista local para guiar os veleiros através do canal até o Iate Clube de Paranaguá, o divertido e competente Jânio Preto (tiveram que qualificar o nosso guia pois tem mais dois Jânios em Cananéia e estavam confundindo ele com um japonezinho). E por falar no Jânio, ele foi batizado assim em homenagem ao Jânio Quadros, então presidente do Brasil, mas meses depois do seu nascimento o Jânio renunciou...




Saímos de Cananéia e fomos contornando a Ilha do Cardoso até chegarmos na entrada do canal que leva ao varadouro; logo antes da entrada existe a vila de Marujá na Ilha do Cardoso, onde só podem morar os alí nascidos e onde as casas de veraneio estão sendo derrubadas. Logo após entra-se no canal a boreste onde se vê uma vila fantasma pois, por algum motivo, provavelmente doenças, as pessoas foram indo embora até que só sobraram uma mulher e sua filha que morreram tragicamente em um acidente com o barco que as levavam para Paranaguá, onde a menina teria uma consulta médica.


Logo à frente chegamos em Ariri, uma vila de Cananéia com diversas casas de veraneio muito bonitas, onde almoçamos no restaurante da Dna. Maria (atende no canal 68), uma comida simples mas muito gostosa. Dormimos por alí mesmo e no dia seguinte saímos com o JP (o tal Jânio Preto) nos mostrando os caminhos pelo canal. O cara realmente conhece tudo daquele canal, nos guiou com perícia através dos baixios e outras armadilhas do caminho; o que não impediu que dois veleiros encalhassem bem no local onde o home abriu o canal do varadouro, justamente onde deságua um afluente que traz areia e assoreia a passagem. Mas a maré estava com 60cm e ainda ia subir mais uns 20 ou 30 cm na próxima hora, então não nos preocupamos muito, bastou utilizar a técnica de adernar o veleiro pra levantar um pouco a quilha e acelerar o motor pra escapar do encalhe. Os veleiros que encalharam tinham 1,80m de calado, enquanto que os demais, em torno de 1,60m passaram bem apenas tocando o fundo ocasionalmente.












Depois foi mais fácil, chegamos em Paranaguá à noite após as 40 milhas navegadas pelo canal, onde vimos diversas vilas ribeirinhas na ilha de Superagui, e passamos pela bahia onde fica a Ilha das Peças e a Ilha do Mel na entrada do canal do Porto Paranaguá que é muito bem balizado e bem tranquilo pra navegar, mesmo à noite em meio aos navios - basta ficar fora do canal balizado por onde eles passam!


A próxima etapa será São Francisco do Sul e Joivile em SC, a apenas 60mn de Paranaguá! 
Até lá e bons ventos!





terça-feira, 5 de abril de 2011

Tempo - A Moeda Definitiva



Em última análise, o tempo é a nossa moeda mais preciosa, é com ele que podemos realizar tudo que queremos e é quando vendemos ele que deixamos de fazer as coisas que realmente importam.
Usando nosso tempo podemos ver nossos filhos crescerem e ajudar na lição de casa, ou então podemos batalhar pelo crescimento da empresa; podemos ler os livros que gostamos ou criar os relatórios que nos dão algum prazer mas que temos a impressão que ninguém lê; podemos ir para o parque exercitar nosso corpo ou gastar ele todinho sentado no escritório; podemos fazer uma peregrinação pela Espanha ou ficar na fila da ponte aérea entre intermináveis reuniões; podemos... bom, acho que vocês já sintonizaram na idéia que quero passar.
Esse é o paradoxo da vida moderna: quem só possui o tempo, não tem recursos pra aproveitá-lo com conforto, daí então a grande maioria das pessoas vende a maioria do tempo que tem disponível para possuir os recursos para aproveitar o tempo que elas não tem mais, pelo menos a maior parte dele; lógico, temos os finais de semana e os feriados, e a maioria ainda tem aquele bendito mês nas férias anuais, falo aqui dos brasileiros contratados pela CLT, pois no primeiro mundo as férias são a metade disso, e os brasileiros empreendedores, profissionais liberais, enfim, os não CLTs, normalmente não gozam de férias estendidas pois não podem se ausentar mais que uma semana do serviço. E por que não?
A resposta para essa pergunta é bastante simples: porque aprendemos que temos que acumular riqueza, não basta ganharmos o necessário (como se alguém fizesse essa conta), temos que ter sobra de recursos disponíveis, e é aí que acabamos escravos do trabalho pois vendemos todo o nosso tempo e daí não nos sobra o suficiente e nem nos damos conta disso; e o pior é que temos a melhor desculpa do mundo pra continuar assim, afinal nós estamos atrás dos nossos sonhos, não estamos? E sonhos custam dinheiro, não custam? Nem sempre custam, e normalmente custam menos do que imaginamos. 
Mas aqui vai a boa notícia, não estou aqui só divagando sobre um problema, vou dar a solução, e nem é uma novidade, já ouvi isso em discurso de sindicalista e já lí aí pela internet: diminua a carga horária de trabalho dos funcionários, daí será necessário empregar mais gente acabando inclusive com o problema de desemprego; pra viabilizar isso o governo deveria rever as leis do trabalho e diminuir a carga de impostos, mas não ia diminuir arrecadação já que ganhariam com a escala (mais gente empregada); eu só sugeriria uma alteração nesse modelo: turnos entre os empregados! Façam a conta, dois funcionários trabalham 22 meses por ano (11 de cada tirando o mês de férias), se forem três funcionários fazendo o mesmo serviço, eles trabalhariam 24 meses (8 cada um, sobrando 4 meses para os seus projetos pessoais).
E agora a cereja do bolo, você, executivo, está pensando, 'Mas e eu? Vou ter que apelar pro sabático? Mas minha empresa não deixa!' - pense bem, funciona contigo também, Sr. Diretor! Pense um pouco, quanto você pagaria pra trabalhar a metade do ano e morar os outros seis meses na casa da praia? Digamos que você ganhe 50, contrate um 'secretário' (pode arrumar um nome chique pra ele) e pague 20 pra ele cuidar do operacional, te consultando para as coisas que realmente importam;  voilá, 60% da sua entrada por menos de 60% de trabalho! Acha difícil achar um executivo por meio ano pagando 120? Anote aí meu email...
Eu não quero esperar a aposentadoria pra ter tempo, quero ter saúde junto com o tempo pra poder aproveitar o tempo com prazer; quanto custa isso? Quanto tempo tenho que vender e quanto tempo tenho que manter no meu estoque pessoal? Essa é a conta a ser feita! Meus sonhos não custam dinheiro, pra realizá-los hoje só preciso de tempo! 
Bom tempo pra vocês!




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tapera - Sítio Forte - Ilha Grande





Estava aqui sentado na proa do barco admirando a escuridão da Tapera no Sítio Forte, pois já passa da meia-noite e desligaram as luzes na praia, e o céu se abriu o suficiente pra mostrar várias estrelas, inclusive o que eu acredito ser o nosso Cruzeiro do Sul, e pensei em deixar a preguiça de lado e compartilhar com vocês essa solidão sossegada. Olhando essa paisagem, se é que se pode chamar de paisagem o que você não vê mas só imagina, só enxergo uma dúzia de luzes fraquinhas, a maioria é dos barcos vizinhos e o contorno das montanhas da Ilha Grande.

Bem diferente da vista do outro lado, na popa do barco, onde vejo as luzes de Angra, mas o que mais impressiona é uma plataforma de extração de petróleo que está estacionada no local demarcado para tal fim aguardando sua vez de ir pro estaleiro, não é sem motivo que as chamam de Árvores de Natal, dessa distância que estou é exatamente o que parece, uma pequena vila com uma radiante árvore de natal no meio.

O mais legal do passeio hoje, foi quando íamos para a praia e a nossa amiga Miriam passou aqui de caiaque e disse que não poderíamos perder as tartarugas que estavam comendo na mão do pescador, daí pulamos no bote e fomos em direção ao píer ao lado do restaurante da Telma, onde o seu marido estava mesmo alimentando as tartarugas com uns pedaços de peixe sob as vistas do Caio e do Hélio que estavam só admirando sentados no píer. A alegria do Rodrigo e da Gabriela vendo os bichos virem do nosso lado foi contagiante, eram três, duas maiores e uma filhote, peguei a máquina e tirei várias fotos; daí a tartaruga deve ter ficado cansada de pegar só uns pedacinhos e arrancou o file de peixe inteiro da mão da Márcia, depois disso elas deram mais uma voltinha ao redor do bote, olharam pra minha câmera e desapareceram. Bichos interesseiros!!! O pior era um baiacu que não saía da frente da lente da câmera, tive que fotografar o animal senão ele não ia embora!

Quando voltamos pro barco, eu e o Rodrigo catamos as tralhas e fomos pro costão de pedras pra pescar o jantar, afinal era a estréia do arpão e prometemos pra Márcia que ia ter peixe para o jantar. Logo no primeiro tiro, o arpão foi sem o cabo e tive que mergulhar pra procurar o dito cujo, achei! Apliquei um poderoso lais de guia e voltei pra pesca. Há, dito e feito, tivemos peixe no jantar, lá no restaurante da Telma porque voltamos de mãos vazias. Abro um parênteses aqui pra elogiar a já famosa lasanha de peixe que a Telma faz, é simplesmente deliciosa, não usa massa, é só presunto, mussarela e filé de peixe; fica divina!

domingo, 24 de outubro de 2010

Uruguay e Argentina

 Os dias que antecederam essa viagem foram cheios de sentimentos diversos, ao mesmo tempo que eu estava feliz e ansioso por pegar a estrada, eu também estava sentindo antecipadamente muita saudade da família que não iria me acompanhar. Adoro estar com meus filhos e com a Márcia, ainda mais que a Gabriela está se desenvolvendo tão rápido que dá pena perder as novidades que com certeza ela teria no período em que eu me ausentaria. 
Iríamos em três motos: eu, o Chanka e o Número 3, mas o fanfarrão acabou desistindo da viagem, o que foi decisivo para que eu encurtasse o roteiro da minha viagem já que eu havia planejado ir até Ushuaia na Terra do Fogo e acabei indo somente até Buenos Aires onde o Chanka já havia planejado fazer meia volta e retornar.

A primeira parada foi em Balneário Camboriú onde não pudemos ficar no hotel de sempre
 já que o Fischer fechou (parece que foi comprado e deve ser reformado) então tivemos que procurar outro local pra se hospedar, o que não foi muito fácil pois em Outubro ocorre a October Fest em Blumenau (a 70km) e os hotéis em Camboriú também ficam cheios.

No dia seguinte fomos para Porto Alegre mas paramos em Torres pra almoçar e tirar umas fotos; nesse trecho antes da divisa de estado
de Santa Catarina e Rio Grande do Sul foi o único lugar em que pegamos chuva de verdade, mas durou apenas uns 15 minutos e como nossas motos tem uma boa proteção aerodinâmica, nem chegamos a molhar.

Chegando em Porto Alegre começamos nossa dieta de churrasco pra acostumar o organismo para as parrillas que estavam por vir.
Continuando o caminho pra baixo, continuamos pela BR-116 rumo a Pelotas e depois para a fronteira em Chuy. Nesse trecho passamos pela reserva do Taim, são aproximadamente 16km de uma beleza natural muito grande; para ver pacas, gaviões e diversos outros animais selvagens, basta ir devagar e olhar para as laterais da estrada, a reserva é repleta de animais em seu habitat. Não muito longe da fronteira poderíamos visitar o Cabo Polônio de novo
 mas optamos por visitar o forte de Santa Tereza um pouco à frente. Esse forte foi construído pelos portugueses na época da colonização e depois de ter sido soterrado por dunas de areia, foi escavado e restaurado pelos Uruguaios, a restauração foi muito bem feita e vale à pena visitá-lo.
De lá fomos para Punta Del Este que é um lugar lindo e muito bem cuidado, precisamos planejar uma viagem só pra visitar Punta, tem muito o que conhecer lá.
 Esticamos um pouco mais o terceiro dia de viagem e fomos dormir em Montevidéo, que é uma cidade muito bonita e com um charme europeu, aliás quando se fala em "lembrar a Europa", Montevidéo ganha fácil de Buenos Aires e Santiago. À noite comemos um belo Ojo de Bife no Las Lunas e fomos dormir cedo porque havíamos rodado uns 900km e o descanso era merecido.
No dia seguinte fomos para Colônia Del Sacramento, onde iríamos pegar o Buquebus
 para atravessar o Mar Del Plata pra chegar em Buenos Aires, então compramos os tiquetes (aprox. R$90 por pessoa e R$110 por moto) e então fomos almoçar numa vila muito simpática e depois visitar a marina e os arredores antes das 17h, horário do embarque. O Buquebus que pegamos fazia a travessia em uma hora e tinha dois decks para veículos e mais dois decks para passageiros, com free-shop e lanchonete.
 Em Bs.As. ficamos no Hotel Colón por duas noites, pois havíamos combinado de conhecer a cidade e descansar antes de iniciar o retorno. Caminhamos bastante pela Costanera Sur e conhecemos o Puerto Madero, um antigo porto que foi desativado e transformado na parte mais linda de Bs.As., pois os antigos armazéns hoje são usados para abrigar a PUC Argentina e muitos restaurantes badalados. A outra margem dos diques, abriga dezenas de prédios comerciais e residenciais, incluindo um prédio que tem uma árvore enorma lá pelo vigésimo andar.
 Na volta resolvemos atravessar a fronteira antes de chegar à província de Entre Rios onde tem um posto da Polícia Camineira argentina em que os policiais fazem um "pedágio", e além da nossa experiência pessoal de outras viagens, dois colegas brasileiros nos contaram em Colônia que foram "roubados" lá, então quando chegamos a Colón atravessamos a fronteira para Paysandu no Uruguay, tem um pedágio nessa fronteira e eles só aceitam pesos (argentinos ou uruguaios), tivemos muito trabalho para conseguir pagar com dólares.
Voltamos ao Brasil pela fronteira entre Rivera e Santana do Livramento. Havíamos planejado dormir em São Gabriel onde chegamos um pouco antes desse por-do-sol lindo aí da foto, mas o Chanka passou reto por lá e só foi parar em Porto Alegre, onde eu sugeri para irmos dormir em Novo Hamburgo, na BR-116 a caminho da serra gaúcha por onde iríamos voltar. Foram mil e duzentos quilômetros rodados em quatorze horas nesse dia, ou seja, se você estiver com muita pressa, dá pra ir ou voltar de Bs.As. em dois dias de viagem, já que de São Paulo a Porto Alegre dá pra fazer em um dia também. Como não estávamos com tanta pressa (pelo menos EU não estava) paramos em Curitiba na volta e terminamos a viagem com uma perninha mais curta, de apenas uns 400km.
 As motos voltaram tão encardidas que quando levamos para lavar, rolou uma lágrima no canto do olho do Ewerton da Misano. No final a viagem encurtada para uma semana foi muito boa e na medida para um passeio muito proveitoso e divertido, tenho que agradecer ao Daniel pois se ele tivesse ido era provável que eu ainda estivesse passando frio lá na Terra do Fogo (o que ainda vai acontecer, pois essa meta foi apenas postergada!!!)

Clique nesse link para ver a planilha com as distâncias e outros números da viagem!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Regata Ilhabela-Santos (com perrengue na volta)

O Ausgang deixou umas 300 milhas na sua esteira nesse último mês, algumas muito prazeirosas, outras nem tanto e umas poucas muito ruins!!! Então vamos ver por onde andamos.

Como decidimos participar da regata Ilhabela-Santos em 28/Ago (que antes era Santos-Ilhabela) tivemos que levar o Ausgang para Ilhabela antes da largada, então no final de semana anterior à regata, dia 21/Ago, meu pai e meu amigo Alexandre vieram comigo pra navegarmos até Ilhabela; aproveitando o evento resolvemos conhecer a Ilha das Couves e então fazer o trecho em duas pernas, pernoitando nas Couves, onde meu pai conseguiu pescar uns peixinhos que não valeram o trabalho de prepará-los então foram soltos, pra sorte deles. O Alexandre se incumbiu da cozinha e fez um jantar muito bom pra gente, coisa que não é normal quando navegamos só com homens, situação em que normalmente ficamos no lanchinho de mortadela!
Chegando em Ilhabela pegamos uma poita do Iate Clube de Ilhabela e depois tivemos que trocar por uma poita do Iate Clube de Santos, sub-sede de Ilhabela (antiga casa do Wilson Fitipaldi) pois o ICI não tinha nada a ver com o evento (mancada minha). Adoramos as instalações do ICS em Ilhabela, é uma sede pequena mas muito bem cuidada e arrumada e o pessoal que trabalha lá é muito gentil e solícito, desde o gerente Guto até o catraieiro Fernando, todos são gente finíssima.

Na véspera da regata, sexta-feira 27/Ago, desci pra Ilhabela com a minha tripulação regateira: meu proeiro Napoleão e os cunhados Carlos e Ricardo. À noite fomos pra Vila onde estava rolando uma festa que contou com a presença da Traditional Jazz Band e do prefeito que falou dos eventos que estavam ocorrendo na ilha.

Finalmente chegou o dia da regata e lá fomos nós pra raia, com a genoa 150% adriçada e o balão preparado pra subir se houvesse um ventinho de popa ou alheta, o que não ocorreu. A largada foi ás 11h30 em frente ao pier da vila e, infelizmente, a correnteza forte e o vento fraco eram contra o que tornou a largada um pouco penosa para os bico-de-proa; junte-se a essa condição adversa o fato de ser a minha primeira regata, o resultado foi que quase "comprei" uma bóia de largada. Mais pra baixo, se aproximando da saída do canal, o vento aumentou e aí foi muito gostoso, com diversos bordos e competindo de verdade com outros barcos, ora atrás, ora na frente, até que por volta das 18h o vento acabou e começamos a ouvir pelo rádio que vários barcos estavam desistindo da regata, então um pouco depois também resolvemos desisitir e motorar até o Indaiá em Bertioga, onde chegamos à meia-noite e fundeamos para dormir, terminando o percurso até o Iate Clube de Santos no dia seguinte. Mas mesmo assim foi muito divertido ter participado e ainda tivemos a chance de conhecer o famoso ICS, onde fomos recebidos pela nossa família pra fazermos o almoço da chegada. Vejam notícias da regata no site de Ilhabela .


Lá o Ausgang ficou até sexta-feira, 3/Set, quando embarquei com meu primo Cláudio pra navegarmos de volta a Paraty; saímos no sábado às 7h15 e chegamos na Ilha Anchieta, onde planejamos o pernoite, às 22h00. Fomos dormir após o banho e o jantar pra sermos surpreendidos às 2h30 da manhã pela entrada da frente fria com ventos de mais de 20 nós dentro da baía da Ilha Anchieta, quando o Ausgang começou a garrar. Ás 3h00 decidimos ir pra Praia do Flamengo, procurar a poita da ABVC para dormirmos mais tranquilos e abrigados, e isso se mostrou um erro, pois o percurso de 3 milhas nos custou mais de uma hora e muitas ondas altas passando pelo cockpit e com ventos de quase 30 nós que adernavam o barco, mesmo em árvore seca; sem falar que as rajadas que ocorriam mesmo no abrigo do Flamengo, me obrigaram a repetir umas 3 vezes a manobra de aproximação pra pescar a poita. Uma vez amarrado, o vento diminuiu um pouco e nos permitiu dormir o restante da madrugada. Não sei se essas palavras chegarão aos anjos que nos ajudaram naquela noite, mas gostaria de agradecer muitíssimos às pessoas que estavam na praia e acenderam todas as luzes mais as lanternas na praia pra sinalizar a nossa chegada, e mais ainda ao dono da poita "Azougue", pois encontrar aquela poita maravilhosa no meio da pancadaria, preparada com dois cabos pra prender nos dois cunhos, foi uma benção: obrigado Azougue. Na manhã seguinte o Soneca chegou ao nosso lado e o Spinelli me contou que o vento no Saco da Ribeira beirou os 40 nós. Noite ruim para estar no mar.

Depois de um episódio desse, mesmo as ondas de 2,2 mts a cada 6/7seg perto da Joatinga, pareciam mar de almirante; pra falar a verdade, essas ondas e um vento de 12 nós, estavam entrando pela nossa alheta, então o Ausgang ia com a vela grande rizada e o motor ligado com uma rotação mais baixa, e ainda assim fazia 7 nós com pico de 9 nas melhores surfadas, portanto tirando o balançar incômodo, a navegada de chegada a Paraty foi boa e rendeu muito, gastamos pouco mais de 9h do Flamengo até a marina em Paraty.

Tudo está bem quando acaba bem, então agora é só planejar a próxima! 
Fiquem com Deus e bons ventos.