terça-feira, 10 de agosto de 2010

Santo André - BA

O Cruzeiro Costa Leste 2010 chegou em Santo André na Bahia, depois de passar por Abrolhos e até churrasquear por lá. Coisa linda de ver, aqueles cinquenta veleiros ancorados e amadrinhados no rio, âncora pra lá na maré vazante e também pra cá na enchente, então os veleiros ficam todos aos pares (ou em trio).


Adoramos Sto André, que lugar ímpar. Uma foz de rio, paralela à praia que abriga uma vila de apenas 800 moradores e que, apesar da humildade do local, tem pousadas/bistrôs com chefs internacionais e artistas plásticos que fazem uns trabalhos maravilhosos. E tem também aquele hotel 5 estrelas que é um espetáculo, nem acreditamos quando chegamos lá, havíamos feito a reserva pelo telefone (não caia no "conto da reserva pelo site" que cobra o triplo do valor negociado pelo telefone 0800) e visto as fotos pela internet, mas ao vivo era ainda mais legal!!! (http://www.gjphoteis.com.br/hoteis/costa-brasilis-resort)

Como se não bastasse o lugar ser ótimo, ainda encontramos todos os amigos velejadores, cheios de histórias de encontros com baleias (incluindo três colisões, sem maiores problemas para os barcos) e contando sobre a beleza de Abrolhos, só ficamos com mais água na boca. Vamos ter que dar um jeito de estar no CCL2012, por dar um jeito entenda-se: criar coragem pra encarar as travessias com as crianças a bordo e conseguir ficar 40 dias na vida boa longe dos compromissos habituais (escola, trabalho, essas besteiras...).


Por falar em água na boca, o almoço da ABVC no sábado foi muito bom, e o restaurante Gaivota serviu um peixe frito que estava de lamber os beiços, bem sequinho, porém tenro e com um tempero divino - nem comi a salada!


Só posso dizer que no final valeu a pena ter pago a minha inscrição no cruzeiro, pois apesar de ter "desertado" participei das festas na largada e agora em Sto André!!! (é, o Rogério insiste em me chamar de desertor, deixa que eu ainda pego ele - mesmo com aquele tererê nos parcos cabelinhos, tá a própria bahianidade, com aquela trancinha saindo da clareira que ficou em volta, rsrsrrs). Vejam a foto abaixo...



Aproveitamos que já estávamos por lá e fomos cohecer algumas outras atrações locais. Uma delas foi a tribo dos índios Pataxós, com uma visita guiada pelo vice-cacique Biri-Biri que nos explicou que aquela tribo em Coroa Vermelha é nova e que resultou do remanejamento da tribo mais a sul próxima de Arraial D'Ajuda, ele nos mostrou algumas das moradias por dentro e também nos apresentou a índia Jaci que irá a São Paulo representar os Pataxós numa feira indígena que ocorrerá em Setembro no Parque da Água Branca em São Paulo; além dela, também conhecemos o cacique da tribo que nos contou que estava chegando da capital Salvador, onde teve diversos encontros políticos pra acertar o apoio dos índios ao candidato da oposição ao atual governo, pois o LILS, em oito anos comandando a nação, não demarcou nenhuma terra para os Pataxós (ou para índio nenhum como eles disseram) então a candidata dele não terá nenhum voto dos índios.

Em Arraial D'Ajuda conhecemos o Geraldo Casado (http://www.gcasado.com.br), um artista plástico que faz quadros muito bonitos com motivos indígenas e recebe dezenas de encomendas, também do exterior pois além dos Pataxós, Tupinambás e outros povos indígenas brasileiros, ele também pinta índios Sioux; além de índios ele também produz diversos outros temas, entre eles uma série de retratos estilizados de celebridades; vimos uma foto do retrato da Camila Pitanga e o retrato da Ana Paula Arósio que ainda não foi entregue pois estava secando - são lindos!!!

Quando escutava os depoimentos de quem conhecia Santo André, e de que seria bom reservar vários dias para o CCL permanecer lá, ficava pensando porque; minha dúvida foi completamente eliminada. Se você quiser conhecer, além da vila, alguns outros pontos turísticos, pode reservar pelo menos uns cinco dias, pois garanto que ainda vai ficar faltando alguma coisa.

Grande abraço e bons ventos para os participantes que partiparam hoje para Ilhéus.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ilha Sandri


Novo destino para o Ausgang, fomos para a Ilha Sandri nesse final de semana. O mar estava uma piscina, muito calmo e o percurso de 16mn foi totalmente tranquilo. Lá encontramos dois veleiros que já estavam ancorados, um deles chama-se Strong Legs e ostenta uma bandeira da Austrália e tem na cidade de Brisbane seu registro. Brisbane fica a uns 750km ao norte de Sydney, e parece ser uma baía muito abrigada o que deve atrair muitas embarcações.


A noite foi tranquila, apesar do aviso de vento forte para a área Bravo expedido pela Marinha, tudo bem que estávamos na área Charlie, mas um vento força 7 (escala de Beaufort - 28 a 33knots) poderia trazer ventos até onde estávamos, mas tirando as pequenas ondas que batiam no casco, não aconteceu mais nada; aliás, o bater das ondas foi bom, pois me acordou e levantei a tempo de ver o nascer do sol.





Complicado foi realizar a manobra de atracação com o vento batendo de 7 a 10 knots, dentro da marina; precisei apelar para o bote de apoio. Se não fosse por esse apoio, empurrando a popa lateralmente, o meu vizinho, Turuna, poderia ter sido abalroado alí mesmo, paradinho!!! Um comandante de um veleiro maior, decidiu esperar fora da marina, até que o vento diminuísse antes de trazer seu barco para o atracadouro. A situação estava mesmo complicada! Só um lembrete, de 4 a 8 de Agosto tem a FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty (http://www.flip.org.br); é um dos eventos mais famosos da cidade, se não o mais famoso, e as arenas já estavam montadas, deverá ser outro grande sucesso.

Grande abraço a todos!


terça-feira, 27 de julho de 2010

Lançamento da expedição Way Down para a Terra do Fogo

Em primeiro lugar, aproveitando que o Brasil já lançou o logo da Copa do Mundo de 2014, queremos lançar o logo da nossa expedição WAY DOWN 2010 para a Terra do Fogo. Já está marcada para Outubro, "A" viagem de moto desse ano: Uruguay, Argentina (Ushuaia), Chile (Santiago e Deserto do Atacama), nessa ordem. Aguardem mais detalhes aqui mesmo no blog, convido-o a seguir o blog para receber as notícias.



















Quando a meteorologia prometeu sol e calor para o final de semana, os “motoqueiros” já se agitaram e começou a troca de emails para darmos uma volta no sábado; o Márcio nos convidou para irmos comer uma chuleta num posto na Regis Bittencourt e lá fomos nós, provar de novo, que a meteorologia é uma ciência sim, mas de uma exatidão muito duvidosa: muita garoa e até chuva no caminho; mas nem chegamos a molhar, o Rodrigo estava na garupa e também não molhou nada! Destaque para a participação do Brejão, amigo de longa data que eu não encontrava a tempos e para o Daniel que ficou sentou na Harley do Brejão para secar o sovaco e não queria mais sair, acho que a próxima moto dele vai ter varal também. Espero que seja depois da expedição Way Down!!!


Uma nota sobre o CCL2010: largou na sexta-feira (23/Jul) e está agora em Búzios aguardando condições meteorológicas para seguirem viagem para Vitória. Sim estão atrasados, mas se saírem logo ainda dá tempo de chegar e partir de Vitória para Abrolhos na data programada.

Grande abraço!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Largada do CCL2010

Hoje eu falei com o Cmdte Rogério e há rumores de que o Cruzeiro Costa Leste não largue nesta terça; pode ficar até para sexta-feira. Haverá uma reunião hoje a tarde para definir isso. Enquanto não decidem, estou postando um vídeo com a minha curta participação nesse CCL2010.
 
Grande abraço a todos!


domingo, 18 de julho de 2010

Férias de Julho de 2010


BARILOCHE - Cerro Catedral

Depois de uma semana de férias em Bariloche, esquiando com a família, onde ficamos hospedados num resort muito legal chamado Rupu Pehuen com macieiras carregadas de frutos bem na porta do nosso chalé, voltei às fainas do mar.

Detalhe importante foi ter assistido ao segundo tempo do jogo da Argentina com a Alemanha, num bar do Cerro Catedral, cercado de argentinos; grande foi a decepção de ver o Brasil cair diante da Holanda, mas pelo menos vimos os hermanos tomarem “de 4” da Alemanha, o que aliviou um pouco nossa vida, que eu achei estar em perigo quando o Rodrigo comemorou comigo o terceiro gol alemão!

ABVC - CCL 2010

Vou dar a fórmula para uma navegada bem ruim, daquelas de você querer ver o mar só da praia: acorde cedo e vá trabalhar, daí almoce e pegue a estrada para o litoral, dirija cinco horas debaixo de chuva e embarque imediatamente, sem jantar, para encarar à noite um mar de ressaca com ondas de 3 a 3,5 mts! Já peguei mar pior, mas nunca passei tão mal. Foram 150km de um balançar ingrato e cansativo pra quem ainda não tinha se ambientado ao balanço. Dados desse trecho: 78,2 milhas navegadas em 15h14min com média de 5,1knots.

Agradeço à paciência do Rogério, comandante do Gameio, que apesar de também não estar 100%, tocou o barco (literalmente) e nos levou em segurança do Bracuhy ao Iate Clube do Rio de Janeiro, de onde largará o Cruzeiro Costa Leste 2010 (www.abvc.com.br). Digo largará, pois a previsão de largada era ontem (Sábado, 17/Julho), mas com o mar ainda de ressaca com ondas de 4mts a cada 8seg, decidiram adiar e aguardar melhores condições ambientais. Pena pois eu tinha planejado participar do trecho Rio-Búzios, mas não contava com esse atraso.

O ICRJ e o pessoal da ABVC fizeram a viagem valer à pena. Os 63 barcos, com muitos comandantes conhecidos e a maioria ainda desconhecidos pra mim, confraternizando naquele lugar maravilhoso ao lado do morro da Urca, é de uma energia tão boa e contagiante que não dá vontade de ir embora.

Teve churrasco na quinta à noite e o jantar oficial de abertura na sexta-feira, com direito a frevo, executado com maestria por uma passista vinda direto de Recife. Parabéns ao Governo pernambucano por fazer um trabalho tão esmerado de divulgação do turismo; destaco ainda que todos os participantes do jantar receberam uma bolsa de praia com folhetos apresentando as belezas do estado.

Fui... e já voltei!!!


quinta-feira, 11 de março de 2010

Regata Angra-Rio


Partimos às 23h00 do dia 22/Out de Ilhabela a bordo do H2Óia, o Cal 9.2 do capitão Hill, utilizado para eventos e treinamentos, e também para a diversão da família Hill. Nosso destino era a sub-sede do Iate Clube do Rio de Janeiro em Angra dos Reis. Éramos seis à bordo, sendo que apenas um sabia de verdade o que estava fazendo, enquanto sua tripulação estava lá mais pelo aprendizado de navegação do que pela disputa da regata. Foi uma travessia tranqüila, com pouco vento e um tanto de motor pra chegarmos; a passagem pela ponta da Joatinga não ofereceu nenhuma dificuldade, pois havia pouco vento, pouco mar e passamos ao largo.

Dormimos no Iate Clube do Rio, em Angra, e no dia seguinte partimos para a regata Angra-Rio. Após uma largada bem legal (é sempre uma festa) adotamos uma estratégia de ir para o meio do canal entre Angra e Ilha Grande mas o vento se foi e ficamos lá à deriva esperando um petroleiro nos albarroar (o que quase aconteceu) e depois de uma hora boiando, conseguimos um ventinho que nos levou para leste, ao dobrar a ponta de Sepetiba e aproar para o Rio, a noite caiu e o dia levou o vento embora; foi uma noite de contemplação, pois era só o que dava pra fazer. Pela manhã o vento voltou e finalmente pudemos velejar, era uma cabeça de frente fria e quando chegamos ao Rio de Janeiro, fomos realmente empurrados pela frente que subia o litoral, fazendo nosso barco surfar nos carneirinhos da popa. No final terminamos a regata marcando um tempo de 29h e vários minutos, mas com poucos adversários, já que outros barcos desistiram por causa da falta de vento, fomos sagrados campeões da categoria. Uhú! We are the champions!!!

Nosso capitão Hill teve a honra de encontrar o primeiro homem a circunavegar o globo sozinho e sem escalas, Sir William Robert Patrick "Robin" Knox-Johnston, que participou de uma regata ao redor do mundo, a Sunday Times Golden Globe Race, entre Junho de 1968 e Abril de 1969 em um veleiro de 32 pés (o menor da competição) e venceu. Na foto, a chegada do veleiro Suhaili em Falmouth. Sir Robin Knox-Johnston estava no ICRJ para divulgar a regata Clipper Round The World Race que ele idealizou para que todos possam ter a oportunidade de participar de uma regata de volta ao mundo. (saiba mais em http://www.clipperroundtheworld.com).

E por falar em lendas marítimas, estou lendo o livro "A incrível viagem de Shackleton" do escritor Alfred Lansing, e fiquei emocionado com o depoimento de autoria de um dos tripulantes do Endurance: "Para a liderança científica, o melhor é Scott; para viajar depressa e com eficiência, Amundsen; mas quando você está numa situação perdida, quando parece que não há mais saída, ponha-se de joelhos e peça a Deus que seu chefe seja o Shackleton." E para não ficar a impressão de que os super-homens não tem medo, leia esse trecho sobre suas dúvidas quando ele estava a caminho da Georgia do Sul tendo deixado a maior parte da sua tripulação esperando seu retorno na Ilha Elephant: "A verdade é que ele se sentia fora do seu elemento. Já provara seu valor em terra. Demonstrara, além de qualquer dúvida, a capacidade de opor sua tenacidade incomparável aos elementos - e vencer. Mas o mar era um tipo diferente de inimigo. Ao contrário da terra, onde a coragem e a simples vontade de resistir são muitas vezes decisivas para a sobrevivência, a luta contra o mar é um ato de combate físico, e não há como furtar-se a ele. É uma batalha que se trava contra um inimigo incansável, em que o homem nunca chega a ser o vencedor; o máximo que pode ambicionar é simplesmente não sair derrotado."

E, um pouco menos poético, mas com efeito bastante prático, cito a máxima do amigo Dorival, de que: "O mar não tem cabelo!", ou seja, não há onde se agarrar na hora do aperto...

Grande abraço e que Deus os acompanhe em suas navegadas!


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sonhos, planos e projetos

A moto já decorou o caminho pra Paraty, esse é o problema, só estou indo pra lá agora! E da última vez, três semanas atrás, eu consegui tomar duas multas, uma delas do tipo “surpresa” porque só chegou recentemente pelo correio. A outra não, foi presencial mesmo, o gentil policial Carvalho fez o seu dever e me tascou uma punição porque ultrapassei uma fila de carros onde não podia. É que como a moto se move mais rápido e é mais ágil que os carros, tem lugares onde ultrapassar de carro seria impensável e perigoso, mas de moto você vem e passa e nem nota qual faixa tinha no chão. Mas a lei não anda de moto e não sabe dessas coisas, então... E eu nem fui irônico quando chamei o policial Carvalho de gentil, ele ainda podia tascar outra multa em mim por causa dos pneus, se bem que nesse caso eu estava vendo o copo meio cheio e ele o copo meio vazio, a discussão ali ia ser boa, mas ele resolveu não onerar demais a parada!

Foi uma pena eu estar sozinho, é mais legal quando essas desventuras tem testemunhas. A última vez que fiz um passeio legal com os amigos foi para o sul das Minas Gerais. Saímos bem cedinho de Santo André, eu, o Marcão e o Dorival, passamos por Pouso Alegre e fomos até Poços de Caldas, onde tiramos essa foto ao lado do relógio floral, e depois fomos para Vargem Grande do Sul filar um churrasquinho na casa do Mineiro, e rolou até um banho de piscina. E ainda voltamos antes do anoitecer. Às vezes é bom se locomover rápido!

Duas semanas atrás, voltei pra Vargem, mas aí levei a família de carro, pois já passou da hora de apresentar a nossa preciosa filhinha para o seu bisavô; e o Zoti ficou todo faceiro com a nenê no colo pra tirar umas fotos; dá só uma olhada na alegria dos dois.

Aprendi num livro essa semana que um sonho com cronograma vira um plano, e daí basta adicionar um orçamento pra ter um projeto. Então vou dizer uma coisa, tenho poucos sonhos, porque quando quero alguma coisa eu já cuido de botar uma data ou no mínimo estabelecer um prazo, o que transforma meus sonhos todos em planos. Foi assim com minha mulher, assim que fiz um ano de namoro, ainda nos meus 19 anos, marquei a data do casamento (virou plano) e uns poucos anos antes da data, fizemos as contas do orçamento (virou projeto) e aconteceu!

E vai ser assim com a nossa Boda de Prata, já faz muito tempo que combinei com a Márcia que nossa boda ia ser na mesma ilha do Caribe onde fizemos a lua de mel, só que voltaríamos pra lá com nosso veleiro (e se possível velejando), e olha aí, faltam onze anos e já temos o barco e boa parte da habilitação necessária. Ainda falta muito, mas esse projeto também está andando a contento.

Já tive sonhos que não decolaram, por exemplo, nunca voei de asa delta ou de parapente e não acredito que ainda vá participar de nenhum rali atravessando o país todo. São sonhos que povoaram minha cabeça por algum tempo, mas não receberam um cronograma e muito menos um orçamento, ficaram só no campo dos sonhos mesmos; talvez eu faça um vôo duplo algum dia só pra matar as lombrigas. Por enquanto vou usando o vento ao nível do mar, deve ser menos emocionante mas com certeza o prazer deve ser tal e qual!

Um abraço e bons ventos!