quarta-feira, 24 de outubro de 2012

RODEO - Day 10 (Paso los Libertadores)




Estou dormindo com plugs no ouvido pra anular a sonora companhia do Marcão, e está funcionando muito bem, aliás, bem até demais, pois não escuto nada, e daí dormindo quentinho e em silêncio, eu não acordo! A gente combinou de sair mais tarde hoje pra não pegar muito frio na cordilheira, mas eu queria acordar antes das 8h30. Mas deu tudo certo, tomamos um bom café no hotel e pegamos a estrada às 10h da manhã. 


Fiquei economizando os pesos então estava abastecido para pagar os pedágios até a fronteira, são 3 e totalizam 1.600 pesos por moto. Mesmo pagando os pedágios e dois chocolates quentes  em Portillo, ainda me sobraram uns 15.000 pesos chilenos que vou ter que trocar quando voltar.

Passamos por Guardia la Vieja, o local onde dormi quando eu vim em 2004, mas não reconheci o hotel/restaurante onde ficamos, acho que demoliram aquele troço (graças aos céus). Abastecemos em Rio Blanco, que é o último posto antes de Uspallata e fomos subir a cordilheira pra chegar à fronteira, mas paramos um pouco antes na estação de esqui de Portillo, à beira de um lago andino muito bonito. Entramos pra visitar o hotel e aproveitamos pra tomar um chocolate caliente e usar os baños. Fora de temporada essas estações ficam uma tristeza de tão vazias, quando  chegamos ao grande salão do restaurante com vista para o lago, os três funcionários estavam sentados às mesas batendo papo, e daí nós chegamos pra atrapalhar a folga.

A passagem pelas fronteiras e aduanas é uma comédia, na saída do Chile ninguém nem olha pra sua cara, daí depois de passar o túnel Cristo Redentor, com 3 quilômetros de fuligem de caminhão suspensa, chegamos a umas cabines, tipo pedágio, onde um argentino grosso pergunta sua `placa patente`, daí você diz  a placa da moto e ele anota num pedaço de papel de pão e mete um carimbo, e quando você olha o que está anotado é qualquer outra coisa, porque ele não entende o que a gente fala; a minha placa ele até acertou mas a do Marcão...


Quilômetros depois a gente chegou ao centro aduano argentino, daí a coisa era caprichada com vários guichês e muitas filas, um pouco à nossa frente tinha uma moto vermelha com placa da Inglaterra, era uma  V-Strom 650 com 3 malas grandes e o maluco me disse que estava vindo do Qatar, antes de chegar à Santiago, onde ele tinha ido pra San Pedro no Atacama e passeado por outros lugares também; me disse que estava indo pra Mendoza e que no final de semana tinha uma festa em Buenos Aires; perguntei a quanto tempo ele está na estrada e ele me respondeu que faz 40 anos (!) e que ele é engenheiro então pode trabalhar de qualquer lugar; bom, com aquele rabinho no cabelo e aquela cara de bicho grilo, ele deve ser engenheiro químico com especialização em metanfetamina.



Depois de passarmos pela aduana, andamos mais uns 17km até a barreira da Gendarmeria argentina, que pediu o tal papel de pão (agora cheio de carimbos) e nos liberou pra entrar no sagrado solo argentino!

Daí foram mais uns 50 km até chegar em Uspallata onde paramos pra tomar um café antes de descer a serra pra Mendoza. Um pouco depois da saída de Uspallata, o trânsito parou por causa de um motoqueiro que arrebentou sua Harley numa curva, acho que ele estava indo pro encontro no Chile, mas a viagem dele acabou porque a moto destruiu, ficamos até surpresos dele estar de pé e bom o suficiente pra estar bravo.

Chegando em Mendoza, fomos direto pro Ibis, que não tinha vagas por conta de um congresso médico que está ocorrendo até sexta-feira na cidade. O rapaz do balcão ainda nos disse que tudo estava 100% ocupado e que a melhor chance nossa era saindo da  cidade e procurando os hotéis mais afastados, ou poderíamos tentar a sorte no centro. Alí perto vimos um Intercontinental e resolvemos parar, para nossa supresa, era lá mesmo que estava ocorrendo o congresso, pois eles tem o segundo maior centro de eventos do país (perdendo apenas para Buenos Aires) e apesar disso eles tinham uma vaga pra gente. Check-in feito e banho tomado, agora estamos no shopping em frente onde jantamos e estamos `filando` a internet gratuita á que no hotel eles cobram.









MENDOZA

terça-feira, 23 de outubro de 2012

RODEO - Day 9 (Viña del Mar)


Hoje fomos para Viña Del Mar e Valparaíso, era o passeio que havíamos planejado para essa estada em Santiago, que está muito mais bonita que da última vez que estive aqui. Prédios bonitos, bairros muito arrumados, principalmente nas comunas de Las Condes e  Vitacura onde circulamos mais.



Viña del Mar é legal, mas como está frio, as poucas pessoas que estavam na praia estavam muito vestidas; fui lavar as mãos no Pacífico, é muito gelado mesmo! Pra nadar ou surfar, só com neoprene mesmo.

Valparaíso é uma cidade portuária como todas as outras, é legal de visitar rapidamente, não dá vontade de se hospedar, estamos bem melhor em Santiago mesmo. No caminho para lá, paramos numa bodega chamada Veramonte e demos a sorte de chegar junto com uma excursão de japoneses, virou um formigueiro de fotógrafos. Acabamos nem fazendo a degustação porque estávamos dirigindo as motos e porque custava $9.000 pesos (três tipos de vinhos e três tipos de queijos), na realidade o que pesou mais foram os pesos mesmo, não achamos que compensava os R$45,00. Além disso a Mastercard fez o favor de bloquear meu cartão e ainda não sei se consegui desbloquear (liguei agora à pouco de novo). Essa vinícula faz um vinho chamado PRIMUS, que é um vinho premium deles, mas a moça me disse que esse vinho não é vendido para o Brasil e eu tenho quase certeza de que já comprei por lá, vou ter que procurar, aqui cobravam uns R$75,00 por 3 garrafas (la promoción). 

Falando em espanhol, o Marcão está cada vez mais craque, hoje a gente passou num  lava rápido no estacionamento de um supermercado (Unimarca) e deixamos as motos pra lavar enquanto fomos dar um volta, loja de MV Agusta, Bimota e Husqvarna, e depois fomos tomar um helado. Na volta o Marcão viu uma sujerinha e já emendou pro rapaz: "__ Passa esse paninho acá, por favor!" - matou a pau.

Amanhã vamos atravessar a cordilheira rumo a Mendoza, passando antes por Portillo e Aconcágua, com seus quase 7 km de altura. A estação de esqui de Portillo, fica no caminho e tem um lago lindo que espero fotografar amanhã antes de cruzar a fronteira.

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Achei o Iate clube de Viña del Mar



Esse predião parece aquele que estão fazendo em Manhatan no lugar das torres derrubadas. E tem um shopping ao lado, é chique nu úrtimo!



RODEO - Day 8 (Santiago)



Já estávamos com saudades dos insetos sujando a viseira do capacete, pois durante todo o tempo andando no deserto não vimos um único mosquito na estrada! Hoje acordamos em Copiapó, no Hotel Diego Almeida no centro, tomamos o café e daí eu tentei acessar o site do banco, sem sucesso, e acabamos atrasando a saída em meia-hora. 



Abastecemos as motos e pegamos a saída da cidade, assim que viramos uma curva e vimos a estrada dupla, acelerei até 140 km/h e travei o piloto automático, intencionada a compensar o atraso; só que o Carabineiro com o radar não pactuou com nossas intenções. Parou a gente e veio perguntando:
_ Usted sabem porque los parei?
_ No!
Daí ele falou, falou, e como não respondemos nada, perguntou:
_ Me compreendem?
_ Un poco!
Daí ele repetiu, dizendo que estávamos a 138 km/h (quase) e que isso é uma ofensa muito grave no Chile e que ia nos multar e que a multa é de $300mil pesos e teríamos que ficar 15 dias no Chile até pagarmos a multa e etc, etc...
Bom, como já nos falaram diversas vezes que os policiais no Chile não são corruptos, e como contra a informação do radar não tem muito argumento, pensei que a melhor estratégia era concordar e pedir desculpa. Disse a ele que ficaria imensamente agradecido se ele nos perdoasse e que iríamos tomar mais cuidado; daí ele pensou e perguntou de onde éramos, o que me sinalizou que o perdão estava a caminho. "Somos de São Paulo!", "Copa do Mundo de 2014, né!?!", "Sim, sim!" emendou o Marcão, "Voi a ficar hospedado en su casa!", "Mas claro, seu guarda, sim, sim!", e pronto, devolveu os documentos e caímos na estrada de novo!



Desde Caldera, rodamos com pista dupla, ótima, como a Anhanguera, mas chegando em Vallenar, virou pista única de novo e foi assim até Coquimbo, depois de La Serena, quando voltou a ser dupla e ótima de novo. Lógico que as pistas boas tinham pedágio (peaje) que de Caldera a Santiago totalizaram quase $6000  pesos por moto (uns R$30). As paradas hoje foram nos postos Copec, que sempre tem banheiros muito bons e uma lanchonete muito boa, com wifi gratuito (y 'perros' también); também achamos vários postos Petrobrás e Shell. 

Somente em La Serena é que a viagem começou a ficar bonita (além da pista dupla, de novo), pois começou a aparecer vegetação e casas de veraneio e lugares mais bem cuidados. De lá até Santiago foi bem legal, com muitas praias, campos com lavoura e montanhas próximas ao pacífico. Mas chegando em Santiago, as montanhas com neve superaram tudo isso, pois nevou ontem e está tudo branco. No hotel onde estamos hospedados, encontramos um grupo de argentinos de Mendoza que vieram ontem e pegaram neve na fronteira, mas disseram que podemos ficar tranquilos pois quando formos embora (en Miércoles) já estará tudo limpo (porcaria, queria transitar por  essa neve). Eles vieram para um encontro de Harleys aqui em Santiago que vai reunir umas 250 motos!





Chegando aqui em Santiago fomos ver onde fica a concessionária BMW pois o Marcão Flanelinha quer lavar a moto que está sujinha, e ao lado tem uma revenda da Touratech que estava aberta ainda e entramos pra dar uma olhada e aproveitamos pra pegar uma dica de onde ficar, e então acabamos caindo no  Hotel Acácias de Vitacura (www.hotelacacias.cl), em Vitacura. A BMW fica na Av. Las Condes, 7.991, em... Las Condes! (amazing!).  



Amanhã (martes, mais conhecida como 'terça') vamos visitar Viña Del Mar e Valparaíso, e se sobrar um tempo quero subir até El Colorado (estou na torcida).


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

RODEO - Day 7





Aqui na excursão do Tio Julio é assim, o sol nem saiu e a gente já estava na estrada pra fazer o dia render... e rendeu!!! Já estávamos na rampa descedente para Calama quando o sol conseguiu vencer o vulcão Licancabur e começou a nos ofuscar pelo retrovisor, na verdade apareceu por uma lateral dele pois o vulcão tem mais de 6 mil metros de altura. O declive daquele trecho de estrada é pequeno, de uns 5 graus apenas, então os raios solares estavam quase paralelos ao chão, formando um "Vale de Sombras Longas", pra se ter uma idéia, os olhos-de-gato da estrada, de apenas um centímetro de altura, tinham quase um palmo de sombra.


Chegamos em Calama e demoramos a localizar um posto de gasolina, passando antes por dois shoppings e um grande supermercado Tottus, e nem paramos, foi um stop-and-go; antes de Antofagasta passamos por algumas vilas de mineiros e muitas empresas de mineração, que é o só o quem tem por essas paragens.

Antofagasta é uma cidade portuária, se bem que o porto não é muito grande. Tem um Clube de Yates, com uma dezena de veleiros e uns outros barcos e como era domingo, estava acontecendo algum evento na avenida Costanera, impedindo o trânsito, quando finalmente conseguimos chegar na saída, após abastecermos, tivemos que voltar pois a saída sul estava em obras e tivemos que utilizar a saída norte, por onde entramos, isso foi um grande atraso.

Descendo uns 100 km mais ao sul, chegamos à grande mão do deserto, onde paramos pra fotografar o Santo Graal do motociclismo da América do Sul. Se falarmos em objetivo de conquista, esse era o único marco que eu havia idealizado para essa viagem: chegar à grande mão no meio do deserto do Atacama, longe de tudo e ao lado do Pacífico. Tirando Ushuaia, que é uma empreitada maior e mais complicada, eu não vejo nenhum outro marco com a mesma dificuldade. Essa foto vai pro curriculum!



Depois disso, o Marcão quase ficou sem gasolina pois o frentista não encheu muito o tanque dele e o posto apareceu somente depois de 280km de Antofagasta e o computador de bordo da moto do Marcão já indicava apenas mais 10km de autonomia, o pior foi os últimos 30 ou 40 km até chegar ao posto, que o Marcão foi andando a 80 km/h; andando a essa velocidade debaixo do sol do deserto, parece que você está parado. Devíamos ter parado em Água Negra,  a uns 50km de Antofagasta, pra completar o tanque,teria sido melhor.


Mas pior que quase ficar sem gasolina foi o  almoço... Olha só pra esse comedor!!! Se bem que foi o rango mais barato da viagem: com o preço de uma cervejinha de 300ml aqui em Copiapó, deu pra pagar o almoço e mais o refrigerante nessa parada: apenas 2.500 pesos por cabeça.

Passamos por Chañaral e no caminho para Caldera, fotografei  essas moradias populares que o Marcão está insistindo em dizer que são casas de veraneio do pessoal daqui (?). Só naquela cabeçona dele mesmo...


Copiapó é uma cidade grande e vive em função da mineração. Tem um aeroporto grande entre Copiapó e Caldera, no litoral, e pra se ter uma idéia, num único quarteirão próximo ao centro, eu contei três escritórios de empresas mineradoras. E na rua só se vê pickapes da Abengoa e outras empresas mineradoras.



Piscinha "de Ramos" em Chañaral

Estátua pela paz mundial em Copiapó

Confraria Overbikers na grande mão!

Amanhã deve dar pra chegar em Valparaíso/Santiago, são "apenas" 800km.



domingo, 21 de outubro de 2012

RODEO - Day 6 (Laguna Cejar)


Ontem, como já sabem, nós fomos ao Vale da Lua, só esqueci de dizer que marquei um ponto do spot lá. Hoje fomos para a Laguna Cejar e outros pontos próximos onde eu também marquei. Veja aqui os pontos: o 30 é nos geiseres del Tatio, o  31 é no Vale da Lua e os 32, 33 e 34 são da Laguna Cejar.


O passeio foi legal e o por-do-sol foi emocionante, o pessoal que estava lá assistindo até bateu palmas. Na Laguna Cejar, a gente nadou pra ver como é esse negócio de flutuar mais em água muito salgada e é verdade mesmo, lá tem 75% de sal e a gente bóia muito.


Acabou pra mim e pro Marcão que vamos pegar estrada amanhã de novo, pra Antofagasta e depois La Mano Gigante del Desierto. A Márcia ainda fica aqui amanhã e vai embora na segunda-feira.






A janta foi no restaurante Blanco, muito bom, ao lado do La Casona, ruim. Também podemos recomendar o Delícias del Carmén cujos pratos são bons e servem fácil duas pessoas.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

RODEO - Day 5 (San Pedro e arredores)



Eu vou escrever, mesmo sabendo que os meus amigos ("tudo machão") estão vendo o final da novela e não vão ler nada que eu escrever mesmo, então nem vou ficar perdendo meu tempo. Segue um monte de fotos pra vocês verem depois que a novela acabar.



Hoje eu e a Márcia fomos logo cedo para ver os Gêiseres del Tatio e o Marcão ficou dormindo porque estava cansadinho; eu também estou mas vou deixar pra descansar quando voltar pro Brasil.







À tarde fomos, nós três, para conhecer o Vale de la Muerte e o Vale de la Luna. Muito legal mesmo esses passeios.

Calle Caracoles, a principal de San Pedro.

Vale da Morte

Vale da Morte

Sandboard no Vale da Morte

Saída da caverna, olha a alegria do Beduíno do Deserto quando viu a luz do sol de novo...

Vale da Lua



Olha esse cactus com flores. O guia disse que eles crescem apenas um centímetro por ano, então quando vemos um cactus com 3 ou 4 metros de altura, significa que ele tem de 300 a 400 anos. Eles eram usados para construção, apesar de demorar 3 anos para secar e permitir o uso, mas agora está proibido e apenas quando morrem naturalmente é que se pode usar para fazer artesanato.

Essas ervas medicinais abaixo foram compradas em Machuca (lê-se Matixuca), um pequeno povoado de apenas uma família com oito casas.