quinta-feira, 11 de março de 2010

Regata Angra-Rio


Partimos às 23h00 do dia 22/Out de Ilhabela a bordo do H2Óia, o Cal 9.2 do capitão Hill, utilizado para eventos e treinamentos, e também para a diversão da família Hill. Nosso destino era a sub-sede do Iate Clube do Rio de Janeiro em Angra dos Reis. Éramos seis à bordo, sendo que apenas um sabia de verdade o que estava fazendo, enquanto sua tripulação estava lá mais pelo aprendizado de navegação do que pela disputa da regata. Foi uma travessia tranqüila, com pouco vento e um tanto de motor pra chegarmos; a passagem pela ponta da Joatinga não ofereceu nenhuma dificuldade, pois havia pouco vento, pouco mar e passamos ao largo.

Dormimos no Iate Clube do Rio, em Angra, e no dia seguinte partimos para a regata Angra-Rio. Após uma largada bem legal (é sempre uma festa) adotamos uma estratégia de ir para o meio do canal entre Angra e Ilha Grande mas o vento se foi e ficamos lá à deriva esperando um petroleiro nos albarroar (o que quase aconteceu) e depois de uma hora boiando, conseguimos um ventinho que nos levou para leste, ao dobrar a ponta de Sepetiba e aproar para o Rio, a noite caiu e o dia levou o vento embora; foi uma noite de contemplação, pois era só o que dava pra fazer. Pela manhã o vento voltou e finalmente pudemos velejar, era uma cabeça de frente fria e quando chegamos ao Rio de Janeiro, fomos realmente empurrados pela frente que subia o litoral, fazendo nosso barco surfar nos carneirinhos da popa. No final terminamos a regata marcando um tempo de 29h e vários minutos, mas com poucos adversários, já que outros barcos desistiram por causa da falta de vento, fomos sagrados campeões da categoria. Uhú! We are the champions!!!

Nosso capitão Hill teve a honra de encontrar o primeiro homem a circunavegar o globo sozinho e sem escalas, Sir William Robert Patrick "Robin" Knox-Johnston, que participou de uma regata ao redor do mundo, a Sunday Times Golden Globe Race, entre Junho de 1968 e Abril de 1969 em um veleiro de 32 pés (o menor da competição) e venceu. Na foto, a chegada do veleiro Suhaili em Falmouth. Sir Robin Knox-Johnston estava no ICRJ para divulgar a regata Clipper Round The World Race que ele idealizou para que todos possam ter a oportunidade de participar de uma regata de volta ao mundo. (saiba mais em http://www.clipperroundtheworld.com).

E por falar em lendas marítimas, estou lendo o livro "A incrível viagem de Shackleton" do escritor Alfred Lansing, e fiquei emocionado com o depoimento de autoria de um dos tripulantes do Endurance: "Para a liderança científica, o melhor é Scott; para viajar depressa e com eficiência, Amundsen; mas quando você está numa situação perdida, quando parece que não há mais saída, ponha-se de joelhos e peça a Deus que seu chefe seja o Shackleton." E para não ficar a impressão de que os super-homens não tem medo, leia esse trecho sobre suas dúvidas quando ele estava a caminho da Georgia do Sul tendo deixado a maior parte da sua tripulação esperando seu retorno na Ilha Elephant: "A verdade é que ele se sentia fora do seu elemento. Já provara seu valor em terra. Demonstrara, além de qualquer dúvida, a capacidade de opor sua tenacidade incomparável aos elementos - e vencer. Mas o mar era um tipo diferente de inimigo. Ao contrário da terra, onde a coragem e a simples vontade de resistir são muitas vezes decisivas para a sobrevivência, a luta contra o mar é um ato de combate físico, e não há como furtar-se a ele. É uma batalha que se trava contra um inimigo incansável, em que o homem nunca chega a ser o vencedor; o máximo que pode ambicionar é simplesmente não sair derrotado."

E, um pouco menos poético, mas com efeito bastante prático, cito a máxima do amigo Dorival, de que: "O mar não tem cabelo!", ou seja, não há onde se agarrar na hora do aperto...

Grande abraço e que Deus os acompanhe em suas navegadas!


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sonhos, planos e projetos

A moto já decorou o caminho pra Paraty, esse é o problema, só estou indo pra lá agora! E da última vez, três semanas atrás, eu consegui tomar duas multas, uma delas do tipo “surpresa” porque só chegou recentemente pelo correio. A outra não, foi presencial mesmo, o gentil policial Carvalho fez o seu dever e me tascou uma punição porque ultrapassei uma fila de carros onde não podia. É que como a moto se move mais rápido e é mais ágil que os carros, tem lugares onde ultrapassar de carro seria impensável e perigoso, mas de moto você vem e passa e nem nota qual faixa tinha no chão. Mas a lei não anda de moto e não sabe dessas coisas, então... E eu nem fui irônico quando chamei o policial Carvalho de gentil, ele ainda podia tascar outra multa em mim por causa dos pneus, se bem que nesse caso eu estava vendo o copo meio cheio e ele o copo meio vazio, a discussão ali ia ser boa, mas ele resolveu não onerar demais a parada!

Foi uma pena eu estar sozinho, é mais legal quando essas desventuras tem testemunhas. A última vez que fiz um passeio legal com os amigos foi para o sul das Minas Gerais. Saímos bem cedinho de Santo André, eu, o Marcão e o Dorival, passamos por Pouso Alegre e fomos até Poços de Caldas, onde tiramos essa foto ao lado do relógio floral, e depois fomos para Vargem Grande do Sul filar um churrasquinho na casa do Mineiro, e rolou até um banho de piscina. E ainda voltamos antes do anoitecer. Às vezes é bom se locomover rápido!

Duas semanas atrás, voltei pra Vargem, mas aí levei a família de carro, pois já passou da hora de apresentar a nossa preciosa filhinha para o seu bisavô; e o Zoti ficou todo faceiro com a nenê no colo pra tirar umas fotos; dá só uma olhada na alegria dos dois.

Aprendi num livro essa semana que um sonho com cronograma vira um plano, e daí basta adicionar um orçamento pra ter um projeto. Então vou dizer uma coisa, tenho poucos sonhos, porque quando quero alguma coisa eu já cuido de botar uma data ou no mínimo estabelecer um prazo, o que transforma meus sonhos todos em planos. Foi assim com minha mulher, assim que fiz um ano de namoro, ainda nos meus 19 anos, marquei a data do casamento (virou plano) e uns poucos anos antes da data, fizemos as contas do orçamento (virou projeto) e aconteceu!

E vai ser assim com a nossa Boda de Prata, já faz muito tempo que combinei com a Márcia que nossa boda ia ser na mesma ilha do Caribe onde fizemos a lua de mel, só que voltaríamos pra lá com nosso veleiro (e se possível velejando), e olha aí, faltam onze anos e já temos o barco e boa parte da habilitação necessária. Ainda falta muito, mas esse projeto também está andando a contento.

Já tive sonhos que não decolaram, por exemplo, nunca voei de asa delta ou de parapente e não acredito que ainda vá participar de nenhum rali atravessando o país todo. São sonhos que povoaram minha cabeça por algum tempo, mas não receberam um cronograma e muito menos um orçamento, ficaram só no campo dos sonhos mesmos; talvez eu faça um vôo duplo algum dia só pra matar as lombrigas. Por enquanto vou usando o vento ao nível do mar, deve ser menos emocionante mas com certeza o prazer deve ser tal e qual!

Um abraço e bons ventos!


domingo, 7 de junho de 2009

Chegamos no Bracuhy


Esse negócio de blog ainda não pegou na minha veia, eu nunca lembro de postar as "aventuras" quando estou perto de um computador; sabe quando eu lembro? Quando estou pilotando a moto e absorto nos meus pensamentos, daí eu lembro mas não tenho como anotar então acabo esquecendo as pérolas do pensamento juliano...

Bom, ainda não contei pra vocês, mas a coisa de um mês atrás passei pelo primeiro grande stress a bordo quando ancorei na praia de Tarituba pra dormirmos e, por total falta de noção e de experiência, peguei uma poita de um pescador e ela não suportou o peso do nosso barco, se soltou e o barco acabou encalhado na praia; ainda bem que senti a primeira raspada da quilha na areia e depois de uns poucos minutos com o motor a toda, conseguimos arrastar o barco para fora do banco de areia e daí pegamos uma poita mais confiável mais longe da praia; o problema é que depois do susto, quem é que conseguiu dormir? Só a Gabi! Mas foi bom pra aprender: se não tiver certeza da qualidade da poita, jogue sua própria âncora pra garantir!

Ontem fomos de Paraty até Angra dos Reis e passamos pelo Pirata's Mall pra comprar
 uns suprimentos antes de irmos procurar um ilha abrigada para o pernoite. 
Como o tempo não estava muito bom, durante a velejada com ventos de 12 a 15 nós, e ondas de 1 metro, apesar de estarmos numa velejada folgada pra evitar que o barco adernasse demais, fazíamos de 6 a 7 nós e o balanço afetou a parte feminina  da tripulação, que fizeram a estréia dos vômitos à bordo. Ainda bem que era também a estréia no novo tapete que segurou a onda. Quando chegamos na marina do Pirata's já estava tudo jóia e no pernoite nem lembrávamos mais das desventuras. Dormimos em Itanhangá, num lugar muito abrigado e muito tranquilo; de manhã chegamos na marina do Bracuhy num instante pois é bem pertinho, e aportamos na Tlaloc pois vamos instalar um toldo no Ausgang pra aumentar nosso conforto , principalmente quando o tempo está assim ruim, pois irá protegrar muito mais das chuvas.
No próximo final de semana, feriado de Corpus Christi, haverá o Encontro Anual da ABVC na Marina Bracuhy e nós vamos participar. Por falar em Bracuhy, ficamos encantados com o lugar, é de longe a melhor estrutura náutica que eu já conheci no Brasil, todos as casas à beira do rio tem o seu próprio trapiche e vimos todo tipo de barco ancorado nas casas. Apesar de não dar pra comparar, me lembrei de Miami com aquelas casas lindas e os iates ancorados por todo o canal; porém Bracuhy tem um charme, um ar intimista, de coisa entre amigos, que Miami com toda aquele grandiosidade e riqueza, não tem como rivalizar. E cá entre nós, saindo do Bracuhy, você tem toda a bahia de Angra dos Reis pra passear, com as famosas 365 ilhas (364 + a Ilha de Caras); e saindo de Miami você tem o quê? 

Até mais e bons ventos a todos!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Melhor que isso não fica...


No final de semana passado eu fiz mais um maravilhoso bate e volta até Paraty pois precisava arrumar algumas coisas no Ausgang e tinha marcado com os fornecedores de encontrá-los na marina.

Fui de moto, é lógico, e no caminho, o de sempre: curva pra lá, curva pra cá, e em poucas horas já estava lá. Fui sozinho de novo, já está se tornando uma constante os amigos não encararem o passeio, será que é tão longe mesmo? Durante a viagem estava me divertindo com as lembranças de ótimos momentos a bordo, que ocorreram nas últimas semanas: a Gabriela e a Márcia já estão começando a se sentir em casa, e é muito legal ver que esse é um programa bem família mesmo; já com o Rodrigo, o "papo" é mais profundo, durante as velejadas a gente se pega olhando um pro outro, e um diz: "melhor que isso não fica" e o outro só emenda um preguiçoso: "Ééééé..." - no início eu dizia a frase completa: "Sabe filho, a vida não fica muito melhor que isso, não!!!", mas agora a gente já abreviou!

A última velejada teve ótimos ventos em torno de 12 nós, com algumas rajadas mais fortes enquanto voltávamos da Ilha Grande, o resultado foi que a vela mestra apresentou diversas avarias pois já estava com as linhas um tanto quanto velhas e já podres, e daí tive que mandar arrumar, não teve jeito. E a genoa I já estava detonada então foi junto no pacote pro conserto.

Pra quem gosta de detalhes, estivemos às voltas com um problema de energia normal para quem tem barco; o nosso barco estava equipado com um inversor que convertia energia 12V das baterias em 110V para ser usado pelo forno de microondas e pela TV/DVD, mas isso nunca funcionou pois quando tentei ligar o inversor queimou e devido ao alto consumo de baterias eu desisti de colocar outro, daí esses equipamentos só podiam ser usados enquanto estivéssemos na marina conectados na energia 110V do píer flutuante. Foi quando um amigo da marina, deu a dica de um aparelho de TV da AOC que funciona nativamente com 12V podendo ser ligado diretamente à bateria e com baixo consumo, em torno de 65watts. Daí foi só trocar o CD player automotivo, por um DVD player automotivo e pronto, quase tudo resolvido, exceto pelo forno de microondas, que nem é muito usado e então não fará falta nos passeios (estou pensando em usar aquele espaço para um ar-condicionado). Agora é só aumentar o número de células solares pra não esgotar as baterias, que estará tudo do jeito que eu idealizei.

Sabe, andar de moto é delicioso, mas já está tudo tão arrumadinho e existem tantas soluções prontas pra tudo que é problema, que sobra pouca coisa pra exercitar a sua criatividade e a necessidade masculina de ter um passatempo construtivo, onde você pode fazer coisas de que se orgulhe mais tarde.

Além dos filhos, é lógico; até porque criar filhos não é passatempo, não é mesmo? Esse tem sido o projeto mais longo e desafiador da minha vida, e até agora parece que estamos fazendo um bom trabalho, meu filhão é ótimo, muito aplicado, educado e divertido; o que queremos hoje é tentar reproduzir isso com a Gabrielinha, que tem um temperamento bem diferente e será um desafio maior, eu acredito! Mas isso é material para outro capítulo.

A volta de lá eu fiz por Caraguatatuba subindo a Rod. Tamoios, e apesar de ser uns 5km mais perto, demora uns 20 min a mais pois tem muito trânsito urbano, lombadas e transeuntes entre Ubatuba e Caraguá. Indo pela serra de Taubaté, que termina em Ubatuba, é mais rápido e a parte do planalto da Osvaldo Cruz é mais divertida que o planalto da Tamoios, mas há que se considerar que a serra da Tamoios tem umas curvas deliciosas, principalmente se você está subindo; apesar da fama e de eu ter adorado a Serra da Graciosa no Paraná e ter me impressionado com a Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina, essa serra de Caraguá eu acho ainda mais linda, ainda mais no outono com o céu limpo que eu peguei nesse final de semana; o visual é de tirar o fôlego, confira! Se bem que é meio injusto nem mencionar a serra do mar indo pela Rod. Anchieta, é que é tão carne-de-vaca que a gente nem fala mais, mas é um visual estupendo quando as condições meteorológicas são boas; sem nuvens e com céu claro, temos a visão de toda a Ilha de São Vicente onde fica a cidade de Santos e também dos rios e do oceano ao longe; já parei inúmeras vezes pra fotografar aquele visual, uma hora vou procurar nos arquivos e postar uma foto bem legal dessa serra, pra quem ainda não se deu ao trabalho de analisar sua beleza.

Um abraço e até a próxima!

sábado, 4 de abril de 2009

Croquete

Na semana em que o LILS (o Luis Inácio, aquele...) puxou o saco do Obama e ofendeu boa parte dos soteropolitanos e fluminenses, eu fiz um bate-e-volta para Paraty, e foi fantástico. Menos pelo barco já que nem saí da marina, fui só arrumar as coisas e resolver uns probleminhas pra preparar ele para o final de semana da páscoa pois vamos ter churrasco na Ilha da Cotia, o que valeu a pena mesmo foi o passeio de moto!

Nenhum dos meus amigos motociclistas quis me acompanhar, parece que é meio longe pra eles, não sei! Mas escutei cada desculpinha: é que vou no sacolão com a minha mulher.... e a outra: não vai dar, tenho que fazer a lição de casa da minha filha... e por aí a fora! Chamei seis sujeitos antes de desistir. Azar deles! Foi duca...

O pessoal costuma ir para Morungaba quando sai para dar uma volta, e depois esticam para Serra Negra para fazer umas curvas legais; mas é porque eles não conhecem as curvas da Oswaldo Cruz, aquela estrada é muito mais divertida pra fazer curvas do que a estrada para Serra Negra; e eu acho que é mais segura também. Mas como é um pouco mais longe, o pessoal não vai pra lá. Da Dutra até a serra de Ubatuba, são 90 km, muito legais para andar; e lá embaixo, os 70 km até Paraty também tem curvas deliciosas, para quem gosta de curvas, é lógico.

Na volta, na tarde do mesmo sábado, parei no Frango Assado da Carvalho Pinto para abastecer e também tomar um suco e comer uma coxinha, que apesar de ser um pouco oleosa, é muito gostosa; com certeza essa coxinha entra no meu “mapa da coxinha”. Mas para meu azar, não tinha mais coxinhas, os motoqueiros que lotavam o posto já tinham acabado com o meu quitute preferido. E foi aí que eu fiz a besteira: como eu gosto muito do croquete de carne da padaria Brasileira, achei que o do Frango Assado pudesse ser parecido... eu não poderia estar mais errado! Aliás, sorte deles que eu não sou vigilante sanitário ou algum outro servidor público com poderes para interditar um croquete indecente como aquele. O pior é que você acaba dando duas mordidas, porque depois da primeira, você não acredita que o troço é tão ruim e acaba comendo outro bocado pra se certificar de que eles conseguiram mesmo produzir um croquete incomível, tudo bem, que essa palavra nem existe, mas aquele croquete também não deveria existir. E aí fica aquele troço lá parecendo um corpo atropelado na calçada. Sabe como é: o féretro estendido lá com um jornal por cima pra não chocar o público; no meu caso o jornal foi substituído pelo guardanapo de papel, mas a função era a mesma: esconder aquela indecência dos transeuntes.

Grande abraço!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

AUSGANG

Era Fevereiro do ano de 1996, estávamos eu, minha recém esposa Márcia (1 aninho de casado) e nosso grande amigo Marcelo (Jabs), viajando pela Europa com um Renault Megane alugado; ficamos um tempo na França e saímos ao leste, entrando na Alemanha e dormimos em Baden-Baden, um lugar adorável, mas obviamente não falávamos uma palavra em alemão e o nosso inglês dava pro gasto, a Márcia na realidade falava muito bem o inglês, mas como os alemães não eram tão bons nisso, então não adiantava muito. No dia seguinte partimos rumo à Munique, eu dirigindo e a Márcia e o Marcelo curtindo a paisagem e acompanhando o trajeto no mapa. Eis que vimos uma placa com formato de seta indicativa, e lá estava escrito: AUSGANG (saída); imediatamente eles procuraram no mapa pela cidade de Ausgang, e lógico, não encontraram; alguns quilômetros depois e novamente a placa indicando a cidade de Ausgang, mas como não existia no mapa achamos que era só um vilarejo. Uma centena de quilômetros depois e lá estava de novo a danada da cidade de Ausgang na placa, daí eu disse que não era possível não ter no mapa, pois a cidade devia ser muito grande já que tinha várias entradas... mais uma centena de quilômetros e daí aprendemos que Ausgang significava saída ou retorno ou coisa parecida (que falta fez o dicionário). E daí isso acabou virando piada pessoal e de repente teve tudo a ver com o batismo do nosso primeiro barco, o Ausgang.

Voltando ao presente, agora que tínhamos o nome do barco, tínhamos que encontrá-lo, então depois de muita pesquisa desde o ano passado, depois de visitar alguns barcos, pedir informações em diversos sites com anúncios e fazer contas e mais contas nos decidimos pelo barco que queríamos. O ganhador do 'Our House Boat Contest' foi o BB36 do estaleiro gaúcho Emisul. Analisamos o tipo de uso que faríamos, o conforto necessário para a nossa família, o mínimo de equipamentos embarcados necessários (como, por exemplo, fogão, boiler e guincho de âncora), e esse foi o barco que atingiu as expectativas tanto no conforto, quanto no valor e tipo de navegação, que no nosso caso é de cruzeiro e sem muita emoção, ou seja, quanto menos o barco adernar, melhor! Obviamente, com essas caracterísitcas a performance fica um pouco prejudicada, mas é o nosso primeiro barco, não dá pra querer tudo logo de cara; e além disso, temos que aprender muito antes de querer participar de qualquer regata. Achamos um ótimo barco à venda em Paraty e vimos ele por fora num final de semana, e no mês seguinte eu já estava lá com o proprietário, o Christophe, pra visitar o Nau Capitânea por dentro. Após a fase de negociação, da pesquisa dos antecedentes e da documentação, e de ter falado com todo mundo que poderia agregar algo nessa fase, marcamos o teste, seria dia 20 de Março; um capítulo à parte foi a atenção que o Raul, proprietário do estaleiro Emisul, me deu, foi tratamento VIP, parecia que eu estava negociando um barco novo com ele e não um usado de um cliente dele. Como após o teste da velejada, iríamos içar o barco para verificar a integridade do casco, quilha, osmose e outras coisas, já aproveitei para contratar a pintura da venenosa com o Eduardo, o famoso Cocó, que também poliu o costado e deixou o barco novinho por fora. E finalmente, no dia 26 de Março de 2009, o nosso barco, já devidamente batizado de AUSGANG voltou pra as calmas águas da bahia de Paraty.

Foi difícil esperar até o final de semana para a primeira velejada, nossa estréia em Paraty. Eu estava bem preparado, muitas horas velejando com o laser em Ilhabela, também fizemos um charter com o Vinícius (Vinivela) que foi muito bom e eles nos usou como tripulação e deu várias dicas, e no final do ano, fizemos o curso de vela oceânica com o Marcão da BL3 num Delta 32. O curso foi muito legal, fizemos de tudo, até trocar a genoa. Como navega gostoso aquele Delta, não fosse o preço tão elevado, eu teria tentado convencer minha esposa a aceitar um ângulo maior na orça. Mas depois de ter velejado com o BB36, não estou nada arrependido da escolha, ele também navega muito gostoso, e olha que o barco estava cheio de gente e o vento estava fraquinho, mas mesmo assim o Ausgang navegou gostoso pela Bahia, rumo à Ilha do Cedro, nossa viagem inaugural. Na preparação desse passeio, marquei os pontos de todas as lajes e o trajeto para o ilha na carta náutica, e levei o meu GPS portátil da Garmin; o Ausgang tem um Chart Plotter Navman, mas como não tive tempo de testá-lo, preferi não arriscar e usar um aparelho mais conhecido.

Chegando na Ilha do Cedro, fomos almoçar no Bar do Nelson e curtir a prainha sem ondas... começou muito bem nossa vida náutica! Apesar de voltarmos com chuva, eu estava tão feliz que nem notei que caia água do céu! 8-) Uma pena que só eu e meu filhão encaramos dormir no barco, foi muito legal, e até preparamos um café da manhã com pãozinho quentinho! E no domingo já fomos muito bem recebimos na comunidade amigosdomar pelo pelo Cap. Eduardo e por sua adorável esposa Regina, do Regwell. Obrigado pela acolhida, amigos!

Bons ventos!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Descida para Paraty

Semana passada eu fui pra Paraty de moto; saí bem cedinho de casa, com o sol raiando, e peguei a Rod. Airton Senna e a Carvalho Pinto até Taubaté e depois a Rod. Oswaldo Cruz para Ubatuba - que estrada linda. O tempo ajudou e eu pude ver aqueles morros verdes com o sol despontando e diversas nuvens baixas nos vales (cheguei a pegar um pouco de neblina) e o efeito visual foi incrível. A luz do amanhecer e do pôr-do-sol emprestam uma dramaticidade às imagens, que as tornam divinas. Todos que gostam de tirar fotos sabem que tudo é uma questão de usar a iluminação correta, e Deus sabe como iluminar sua criação. Em diversos trechos da estrada, o sol se esforçava para atravessar as árvores e criava um efeito ainda mais bonito com seus raios tocando o asfalto em algumas partes, em outros trechos a luz sequer conseguia atravessar e o resultado eram túneis sob as árvores. Ainda hoje comentei que poucas coisas na vida são tão terapêuticas quanto isso; se tem um jeito de manter a sanidade nessa vida doida que levamos na cidade grande... é esse!!! Melhor que isso, só uma boa velejada, com um ventinho de través e o mar espelhado... mas esse é outro capítulo!
Depois das minhas 'pilotadas' em Interlagos e de ter lido o 'Sport Riding Techniques' do Nick Ienatsch, aprendi diversas técnicas que tornam minhas viagens muito mais seguras e divertidas; o que mais gosto hoje em dia são as curvas: abre na entrada, freia antes, posiciona o corpo, deita pra fazer a tangente de dentro, acelera e sai tangenciando o outro lado... perfeito! Curva pra cá, curva pra lá, o chão passando perto, e eu me sentindo cada vez mais vivo... e feliz!!! Só de lembrar já dá vontade de descer pra garagem e sair andando de novo!!!
Tenham todos uma boa semana!