sexta-feira, 19 de outubro de 2012

RODEO - Day 5 (San Pedro e arredores)



Eu vou escrever, mesmo sabendo que os meus amigos ("tudo machão") estão vendo o final da novela e não vão ler nada que eu escrever mesmo, então nem vou ficar perdendo meu tempo. Segue um monte de fotos pra vocês verem depois que a novela acabar.



Hoje eu e a Márcia fomos logo cedo para ver os Gêiseres del Tatio e o Marcão ficou dormindo porque estava cansadinho; eu também estou mas vou deixar pra descansar quando voltar pro Brasil.







À tarde fomos, nós três, para conhecer o Vale de la Muerte e o Vale de la Luna. Muito legal mesmo esses passeios.

Calle Caracoles, a principal de San Pedro.

Vale da Morte

Vale da Morte

Sandboard no Vale da Morte

Saída da caverna, olha a alegria do Beduíno do Deserto quando viu a luz do sol de novo...

Vale da Lua



Olha esse cactus com flores. O guia disse que eles crescem apenas um centímetro por ano, então quando vemos um cactus com 3 ou 4 metros de altura, significa que ele tem de 300 a 400 anos. Eles eram usados para construção, apesar de demorar 3 anos para secar e permitir o uso, mas agora está proibido e apenas quando morrem naturalmente é que se pode usar para fazer artesanato.

Essas ervas medicinais abaixo foram compradas em Machuca (lê-se Matixuca), um pequeno povoado de apenas uma família com oito casas.







quinta-feira, 18 de outubro de 2012

RODEO - Day 4


 


Parar em Susquez foi a pior decisão da viagem (até agora, pelo menos), Susquez foi uma desagradável surpresa: o hotel era bem ruim, os postos só recebem gasolina depois das 19h, mas o pior de tudo foi a altitude, dormimos  a quase quatro mil metros de altura, daí minha gripe ( que  se instalou quando chegamos em Foz) se juntou com o mal da altitude e o resultado foi a pior noite que já dormi (que eu me lembre), com dor de cabeça a noite inteira e de manhã estava pior do que se tivesse uma ressaca daquelas, isso sem falar no colchão em forma de parábola invertida e o banho frio, mas eu sabia que quando subisse na moto ia passar todo esse mal então juntei os restos de força e fui empurrar um cafezinho pra pegar estrada.

Antes de continuar deixa eu contar duas curiosidades: enquanto a gente esperada a gasolina chegar e a recepcionista do hotel dar o ar da graça, nós viramos atração local na rua principal de Susquez, então um menino mais atrevido pediu pra gente comprar uma rifa da escola e nós compramos e demos adesivos da viagem, daí é lógico que tivemos mais um monte de oferta de rifa e tive que distribuir vários adesivos (valeu Daniel); a outra é que o frentista derrubou gasolina no tanque do Marcão, que perguntou se tinha água pra lavar, daí o sujeito respondeu que sim e apontou para um torneira numa parede próxima, e o Marcão teve que pedir um vasilhame para ele mesmo lavar a moto.



Mas como não há mal que sempre dure, a travessia da cordilheira compensou tudo, que espetáculo grandioso, a cada montanha que contornávamos se descortinava uma paisagem mais bonita que a anterior. Quando passamos pelo Salar Olarez, com uns 40km de comprimento, rolou uma lágrima, não sei bem se foi pela beleza, pelo ar seco ou de frio, ou tudo isso junto, mas foi uma visão inesquecível. O Paso de Jama é muito tranquilo nessa época, muito pouco vento, nada de gelo, se bem que chegou a acender a advertência de gelo no painel da moto, quando marcou 2,5 graus. Nessas horas você vê a importância de usar bons equipamentos, a jaqueta e a calça tem forro térmico e o capacete não entra um ventinho, e viseira não embaça: anota aí Rally 2 ou 3 Pro e Schuberth C3. Na fronteira da Argentina com o Chile tem um posto YPF muito bom e bem equipado, e com uma lanchonete ótima com wi-fi e  tudo. Em 2004 foi a primeira vez que atravessei a cordilheira de moto, mais ao sul no Paso do Tunel Cristo Redentor onde passaremos na volta de Santiago, até então eu achava que a cordilheira era uma fileira de montanhas onde um lado era Argentina e o outro era Chile, mas é muito mais grandioso que isso, são dezenas e às vezes centenas de quilômetros de largura, hoje a gente rodou 280km na cordilheira pra chegar até San Pedro no Atacama, e apenas uns poucos últimos km foram descendo dos 4 mil metros para a altitude de San Pedro, uns 2500 metros; e foi uma descida em rampa reta, sem as curvas que sempre tem em serras, é incrível.





Hoje estamos muito bem aqui, nessa altitude não estamos sentindo nada de anormal e depois que a Márcia chegou ( ela veio de avião até Calama e pegou uma van até San Pedro), nós já fomos comer e passear pela cidade, que é bem rústica mas  agradável. Amanhã eu e a Márcia vamos aos gêiseres del Tatio, mas o Marcão quer ficar dormindo e tá com medinho do frio (só porque encarangou na moto hoje). E tirando Susquez, onde tem horário pra abastecer, a gente não teve problema nenhum em achar gasolina, porém não posso falar o mesmo do cartão de crédito, somente uns 25% dos postos argentinos aceitaram `tarjeta de crédito`, nos obrigando a pagar `en efectivo`, então tem que trazer dinheiro senão passa aperto.



Para quem gosta de números, aí vão os totais até o momento.
Primeiro dia: Santo André a Foz do Iguaçu - 1.077km em 12 horas
Segundo dia: de Foz a Presidência Roque Saéns Peña - 815km em 10 horas
Terceiro dia: de Saénz Peña a Susquéz - 930km em 10,5 horas
Quanto  dia: de Susquéz a San Pedro - 283km em 3,5 horas



A trilha está toda no spot (clique aqui). Total 3.105 em 36 horas de estrada.

Em tempo, esqueci de escrever ontem, até agora o único trecho de estrada ruim, cheia de remendos e vários buracos, foi entre a província do Chaco e a província de Salta, perto de Monte Queimado, no restante o asfalto estava bom e bem sinalizado.

O computador de bordo da moto, mostrava até Jujuy, antes da serra, uma média horária de 102km/h e 17,5 km/lt de consumo médio. Agora com a cordilheira a média baixou para uns 92km e o consumo médio da viagem diminuiu para 17,8 km/lt. Vou zerar pra ver o consumo na cordilheira! 


RODEO - Day 3




Todos sabem que desde que as montadoras de automóveis começaram a receber os pedidos de carros totalmente personalizados, virou rotineiro uma pessoa contratar um designer de automóvel da mesma forma como contrata um arquiteto para fazer uma casa. Uma vez com o seu design pronto o comprador escolhe uma plataforma de motor e chassi, pra montar a carroceria e o interior desenhado pelo consultor; o resultado é essa miríade de veículos diferentes rodando nas ruas, não existe mais um modelo igual ao outro, agora a gente só reconhece a marca das montadoras. Mas o que nem todo mundo sabe é que as montadoras de motocicletas deram um passo à frente e além do design já podemos escolher partes intercambiáves para trocar, então como a minha moto usa um câmbio cassete, eu troquei as seis marchas normais por um câmbio customizado com apenas quatro marchas, deixei a primeira com a relação de fábrica, mas a segunda é quase uma terceira, a terceira é quase uma quinta e a quarta marcha virou uma sexta overdrive, e ficou perfeito para essa viagem, com aquelas retas intermináveis, onde seis marchas não teriam propósito; agora é só relaxar e pilotar seguindo as indicações do GPS embutido no capacete e com as indicações projetadas diretamente na viseira. Ah, que maravilha! Se fosse verdade... Por enquanto, só mesmo uma musiquinha, pois já é possível parear o capacete com o telefone via Bluetooth!!! Essa é pra quem tenta imaginar o que passa pela cabeça quando você não tem mais nada pra fazer pelos próximos 930km...

Estou colocando esse post atrasado, mas vamos contar o que aconteceu ontem.




Acordamos no Hotel  Presidente e saímos às 8 horas planejando parar em San Salvador na província de Jujuy, ou Purmamarca, para o pernoite. Por volta do meio-dia paramos em Galpon num posto Refinol para abastecer as motos e tinha um comedor (é assim que eles chamam lanchonete/restaurante por aqui) muito arrumadinho ao lado do posto, comemos bem e tinha até wi-fi de graça.



Nos avisaram que na cordilheira e proximidades, nós não podíamos dispensar abastecimento quando encontrasse um, então antes de subir para Purmamarca, paramos para  abastecer em San Salvador  de Jujuy, onde o frentista disse que em Susquez tinha abastecimento e também tinha hotel. Não teve post ontem porque a gente escutou esse maldito frentista... bem, vocês vão ler no próximo!!!



Sim, essas placas são de sal!!! Mas não adianta levar pra mostrar pois se sair dessa humidade de 9% e levar para casa, com 70% de humidade, esse sal virá água (segundo discurso de um guia local).



terça-feira, 16 de outubro de 2012

RODEO - Day 2


Olá, que tal?!?! Hoje adentramos em território Argentino, a imigração foi rápida, bastou passar na Receita Federal e dar baixa do cidadão e então, no lado argentino, depois de passar pelo Shopping Porto Iguazu, bastou mostrar o passaporte e informar a placa da moto e logo depois os gerdarmes pediram o documento da moto e o seguro carta verde. Paramos pra abastecer em El Dorado, mas  se tivesse perdido esse posto tinha outro depois de 85km (acho que o Marcão não chegava, com aquele tanquinho!).


Sem falar na garupa dele, olha o que tem de mala esse sujeito! 


Às vezes, no meio do nada, aparece um trecho de estrada caprichado, com pistas duplas, bem iluminado, vai entender...


O Marcão pilota mais de pé que sentado, diz que está com `dolores`, não precisa nem perguntar onde, né!


Depois de Posadas começou aquelas estradas retas e planas, é uma tristeza, você fica horas  só perseguindo o horizonte  e ele nunca chega.



E as `insetadas` que a gente toma, dá até dó! Os bichos aparecem do nada e explodem no capacete e no parabrisa da moto.


Essa acima é a ponte da saída de Corrientes, cidade grande, capital da província; tinham nos avisado pra não usar a pista central pois é proibida para motocicletas e é lógico que esquecemos do detalhe, fomos lá eu e o Marcão, todo pimpão, e pimba, na entrada da ponte pra deixar a cidade, lá estava o prestativo gendarme pra tomar nosso dinheiro. O esquema é ninja, ele joga diversas bolas de fumaça até que tira sua grana, o policial Ramero Justo (se é que esse é o nome dele mesmo) nos ameaçou até com o confisco da moto se tentássemos deixar a Argentina sem pagar a multa, ele ia lavrar a multa porque fomos fotografados na pista proibida e poderíamos pagar em qualquer Banco De La Nación; pedimos para ele nos desculpar e coisa e tal mas não teve jeito, o que ele `podia fazer`, que está `en la ley` é pagarmos a multa na hora e `en efetivo` e nos beneficiar de ùn descuento` de 65%, daí ele começou a fazer diversos cálculos complicados demais para um brasileiro besta acompanhar e chegou num valor bem menor que os 1.200 pesos da multa, e sem direito a pechinchar, eu tentei mas ele disse que o dinheiro não era pra ele, não, não; até me deu um recibo (?) pra eu mostrar na fronteira. Resumindo bem: ele trucou a gente e nós corremos!


Mas apesar do prejú, chegamos bem em Presidência Roque Saenz Peña e acabamos caindo no mesmo hotel do Paulão, o Presidente, depois de tentarmos um outro hotel que não tinha vagas.

E fiquei super tranquilo pois já vi que o Marcão se vira super bem com o espanhol: chegamos no hotel, acertei o quarto com a mulher da recepção e fomos guardar as motos na garagem, daí quando eu chego no front-desk tá lá o Marcão escutando as instruções da moça, cheguei a tempo de escutar:
- el desayuno é das 6 às 10 horas;
daí o Marcão vira pra mim que estou chegando ao balcão:
- Aí Julião, o check-out é às 10hs.
baixei a cabeça e fui pro quarto... fazer o quê! Depois ele disse que entendeu `desarrumo` e achou que era a hora de sair! (piorou)

Bom, já fomos a um comedor e jantamos uma hamburguesa e um lomito, assistindo ao jogo da Argentina contra o Chile, que está acabando, 2x0 pra Argentina; opaaaa, gol do Chile, 2x1 agora.



Vamos dormir que amanhã é dia de Pampa Del Inferno. O nome é promissor vamos ver no que dá. Bye!


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

RODEO - Day 1


Dia tranquilo, fizemos de São Paulo a Foz do Iguaçu em 12 horas, com algumas paradas para abastecimento e uma parada mais longa pro almoço em Maringá.


Marcamos de nos  encontrar no posto Ipiranga da Av. Bandeirantes, cheguei cedo e vi aquele posto Shell bonito e, adivinha, parei no Shell e fiquei praguejando porque o Marcão não aparecia. Daí ele me ligou e nos encontramos no posto certo.



Quando troquei a RT pela GT, eu não fiz segredo de que não fiquei satisfeito e que ainda prefiro a RT, mas não posso ser injusto com a GT, ela me trouxe nesses primeiros 1000km com muito conforto e performance; tem a mesma capacidade de carga da RT e um motorzão, ela sobra na estrada, afinal tem praticamente o mesmo torque mas uns 50CV a mais que a RT. Acho que essa RT com motorzão vai muito bem. Estou feliz!


Chegamos ao nosso hotel em Foz do Iguassu (é, assim tb está certo) com tempo de pegar uma piscina e tomar uma cervejinha gelada. Boa noite e bom descanso pra todos, porque apesar de não estar dolorido eu estou bem cansado e o companheiro de viagem quer sossego pra ver a novela (ninguém merece!).

Abs.

domingo, 14 de outubro de 2012

RODEO - Início da viagem



A viagem começa amanhã então é uma boa hora de começar o blog da viagem, não é mesmo! Pra quem ainda não sabe, amanhã eu partirei com um amigo, o Marcão, para o deserto do Atacama no Chile, nós vamos de moto e segundo nosso planejamento vamos rodar perto de dez mil quilômetros. O mapa do trajeto escolhido está abaixo, vamos para Foz do Iguaçu, contornaremos o Paraguai e subiremos para Salta e pro Paso de Jama, de onde chagaremos em San Pedro de Atacama; depois desceremos até Santiago, capital chilena, e atravessaremos para a Argentina pelo Túnel Cristo Redentor onde chegaremos em Mendoza; depois Buenos Aires, Montevidéo, Punta Del Leste e de volta pro Brasil, onde retornaremos pelo litoral.



A moto já está abastecida e as malas estão prontas, muitas roupas de frio na bagagem e muita expectativa também. Não dá pra não ficar um pouco apreensivo e ansioso na véspera, mas está tudo bem! Tudo está preparado: troca de óleo, pneus, seguro carta verde (obrigatório para o Mercosul), um pouco de moeda local (pesos argentinos e chilenos) e um pouco de dólares também, mas esperamos pagar tudo com plástico, afinal vivemos na economia do plástico, se um posto de gasolina não aceitar cartão de crédito, vão ter que chupar o gás de volta!

Estamos levando um spot, então basta clicar aqui acima à direita para saber onde estamos, e vou tentar atualizar o blog sempre que possível; espero só ter o trivial para contar, mas com o Marcão junto eu tenho certeza de que vamos ter histórias...

Na verdade, tenho um imprevisto pra contar. Ficamos zombando do Marcão porque ele comprou um GPS "tipo net", que caiu do suporte e foi parar no pé de um motoboy, pois ele não achou bom negócio investir num Zumo da Garmin, e agora meu Zumo resolveu "bichar"; aquela porcaria não carrega mais quando colocado no suporte, durante a viagem vou ter que carregar a bateria dele usando a porta USB. Isso já havia acontecido antes, mas bastou eu resetar ele apertando o canto inferior direito da tela touch enquanto apertava o botão do power; mas dessa vez não adiantou. Vamos usando o "tipo net" e o mapa em papel.



Godspeed!